A busca eterna pelo equilíbro


Eu sumo. Mas eu sempre volto. Às vezes acho que não vou dar conta de tudo e muitas vezes não dou mesmo. Eu sempre fui de fazer mil coisas ao mesmo tempo – nem sei quando foram as últimas “férias” em que não trabalhei. Mas eu preciso encarar um novo fator na minha  – fator não tenho a mesma energia de sempre – e é difícil de lidar com isso às vezes. Mas estou focada no que meu psiquiatra disse: Aceite que você tem uma limitação. Ponto. É isso que estou tentando fazer. Vale lembrar que eu nunca sumo totalmente. Estou sempre pelo snapchat, facebook e instagram. =)

Este último mês foi bem difícil. Somado ao fato de que era junho – o mês do terror para quem é professor – um antigo sintoma ganhou muita força: um peso no corpo. Não sei nem explicar direito. Eu sentia como se estivesse com febre, mas sem me sentir quente. Doía para me levantar do sofá. Várias vezes deixei para tomar banho de manhã.

É um sentimento horrível. Você está com a cabeça funcionando a todo vapor e o corpo não responde. Dormi com fome para não ter de levantar pegar algo para comer. Não fosse meu marido, eu teria dormido sem tomar meus remédios, no sofá…

Meu psiquiatra me explicou que esse “sintoma” é um sintoma de depressão e que transtorno de ansiedade e depressão são para o cérebro como duas faces da mesma moeda. Eu fiquei MUITO surpresa. Primeiro, porque eu sempre coloquei a culpa dessa minha moleza na tireoide. Eu me sinto assim desde a cirurgia, mesmo que não nessa constante. Segundo porque eu achava que depressão tinha a ver com tristeza, insatisfação e infelicidade. E eu sou muito feliz. Adoro a minha vidinha, meu trabalho, meu blog, os frilas que faço, meu casamento, a minha filha, nossa interação enquanto família, nossa casa que está bagunçada da mudança até hoje. É a vidinha que eu sempre quis e o Gustavo é o amor da minha vida. Estamos animadíssimos esperando o ok médico para tentarmos outro bebê. Enfim. Como eu, justamente eu, que sou toda palhaça e tagarela ter sintoma de depressão?

Só me fez perceber o quanto somos uns idiotas preconceituosos que não entendemos NADA de doenças psiquiátricas. E que elas são tão reais quanto uma amigdalite que te derruba numa quarta-feira da semana em que você tem o tal projeto para apresentar.

Enfim, o querido doutor mexeu na minha medicação e ficou mais um tempão falando comigo, me ensinando estratégias de mindfulness para que eu tenha ferramentas para lidar com tudo isso. E como sempre o primeiro mês de medicação é um porre, para mim foi também. Meu sono ficou todo torto – não está 100% ainda, mas melhorou muito. Eu nunca fui uma pessoa de dormir muito. Nunca fiz soneca à tarde e achava um p*** saco ter de esperar os outros acordarem para continuar a vida. Mas comecei a dormir à tarde, não conseguir levantar…e ir para a cama às 19h, assim que o Gustavo chegasse e começasse a assumir a Catarina.

Descobri que se eu não dormir à tarde fico melhor. Mas às vezes fico mais cansada também. Enfim, é um mundo todo novo para mim, preciso reconhecer todo o meu funcionamento de novo. Esse “novo eu”.

maternidade

Fiquei com vontade de escrever um pouco pois hoje faz oficialmente um mês que estou convivendo com esse “novo eu”. Há um ano atrás eu fiz a tireoidectomia. Exatamente há um ano. Lembro do sentimento, do desespero. Do alívio quando saí da sala de cirurgia. Das centenas de mensagens de vocês no meu instagram. Fiquei tão feliz e animada de ler aquele tanto de mensagens!

Tento colocar aqueles dias terríveis para trás e pensar que tudo aquilo acabou, mas honestamente, acho que nunca mais volto a ser como antes. Pelas questões fisiológicas (lembro TOOOOOOODO dia de manhã que não tenho mais a tireoide quando tenho que tomar meus hormônios e ficar 30 minutos em jejum. E vai ser assim o resto da minha vida…), pelas questões emocionais (um câncer, mesmo que simples, marca muito), pelas coisas que aprendi e pelo tanto que sou grata e, ao mesmo tempo, sofro todos os dias.

Não sei explicar. Parece que existem duas Thaises. Thaise a.c e Thaise d.c. Antes e depois do câncer. Eu mudei. Não sou a mesma pessoa. Não sei se dá para ser. É mais uma coisa que te muda. Como a maternidade. Tem alguém aí que não mudou nadinha com a maternidade? É a mesma coisa. Acho.

Hoje fui ao laboratório fazer os exames de controle. Foi o meu primeiro ultrassom depois do tratamento. Limpo. Normal. Não tem nada. O raio x demora uns dias para ficar pronto, mas eu acho que o ultrassom era o mais importante. Há um ano eu achava que não veria a minha filha crescer. Hoje eu saí do laboratório com a certeza de que nada me derruba.

Para você, que está passando uma época ruim, meu abraço sincero. Vai melhorar. De verdade.

Beijos cheios de força,

Ise

Imagens: pixabay

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2 Comentários

Juliana Magna dos Santos
Responder 15 de março de 2017

Descobri o CA de tireóide no dia 21/02/2017. Comigo a história foi inversa. Eu tinha um nódulo, uns 6 exames de ultrasson sem achado maligno, 5 biopsías com aspiração por agulha sem resultado conclusivo, uns 3 endocrinologistas que falaram que eu podia acompanhar só por ultrasson, porque as biópias eram inconclusivas. Não me dei por satisfeita. Peguei meus exames, levei em um oncologista. Ele me disse vamos tirar a tireóide? Para termos certeza e fazer uma biópsia conclusiva? Fiquei na dúvida. Pensei, Fiz a cirurgia. Era CA de tireóide papílifero. Linfonodos sem metástase. Agora vou para a faze 2: Iodoterapia e PCI (Pesquisa de corpo inteiro). Também tenho uma filha a Júlia de 1 ano de 2 meses. E TUDO o que você escreveu está me fazendto tanto sentido, que penso: Obrigada DEUS...Po que nada disso pode ser por acaso...
E concordo completamente quando você diz que existem duas uma antes e outra depois do diagnóstico. Porque TUDo muda. As pessoas mudam com você. As amizades mudam, sua relação com o mundo então...afff nem se fala. O trabalho muda. A intensidade da vida muda.
E olha...minha vida já faz muito mais sentido...
E vamos para a frente!!! AVANTIII
Beijo linda! Deus te abençoe!!!

Paula Approbato
Responder 14 de julho de 2016

Força sempre! Parabéns pelo texto e pela força que tem.. Bjs

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