Diário do Desfralde


kate

 

 

Catarina, 2 anos e 2 meses.

 

 

Eu achei que o desfralde da Catarina fosse demorar bastante, porque até bem pouco tempo atrás eu estava batendo na porta da fono porque ela não falava. Eu tenho casos na família que me fizeram correr para um especialista ao menor sinal de atraso. E na minha cabeça era muito simples: não fala, não desfralda. Afinal, como ela vai se comunicar, falar que está com vontade de fazer xixi ou cocô?

Com uns 17 meses ela começou a se demonstrar bastante incomodada com a fralda, principalmente nos dias de calor. Compramos um penico para ela e fomos incentivando, sem pressa nem segundas intenções. Ela costumava sentar antes de entrar no banho e vez ou outra, bem raramente, rolava um xixi ou até um cocô – seguido de uma festa estilo “É CAMPEÃO DA COPA DO MUNDO”.

Só que por causa da nossa cachorrinha, a Dorinha, a Catarina aprendeu bem cedo a falar cocô. Na verdade, ela não dizia “cocô”, fazia um som glotal que a minha mãe havia ensinado, como um arranhado de nojo na garganta. Impossível explicar. Mas aquilo era comunicação. Uma comunicação beeeem rudimentar, mas ainda assim comunicação. Ela usava aquele som para avisar que a Dorinha havia feito cocô, desde que fez um aninho mais ou menos. Posteriormente ela aprendeu “xixi” (saía meio que /titi/) e também “bumbum”, de uma brincadeira que o Gustavo fazia com ela, de bater no “bumbum” antes de por a fralda. Ela começou a usar a palavra “bumbum” para avisar quando a fralda estava cheia de xixi a ponto de incomodar ou quando fazia cocô. Sempre posteriormente ao feito, nunca antes, apesar de todos os meus pedidos.

Desencanei do desfralde, até porque passamos os últimos 3 meses superenvolvidos na nossa mudança de casa. Catarina foi para um quarto diferente do que ela sempre teve, cama de gente grande, sem grades, alta. Nem pensei nisso.

Foi a professora que me deu o sinal: “Thaise, acho que ela está pronta para o desfralde! O que você acha?”

Eu? Eu acho que não! Ela é tão pequenininha, nunca avisa antes, está aprendendo a falar agora… Não tem nenhuma outra criança desfraldada na sala, está muito frio, acabamos de mudar, nem fizemos o quarto dela ainda…

Mas fiquei com aquilo na cabeça. Vejam bem, eu me policio MUITO para não menosprezar as capacidades da minha filha. Já falei sobre isso AQUI. À noite, conversei com o Gustavo. Conversamos muito, expliquei o processo para ele, falei do que precisaria e de como eu pretendia fazer, de como tinha tudo organizado na minha cabeça. Ele mais do que concordou. Vejam de novo, o Gustavo tem HORROR a criança grande bebezão. É uma coisa dele. Ele fica verdadeiramente incomodado quando vê uma criança grande no carrinho, de chupeta na boca, uma criança sendo tratada como bebê. Ele sente quase que como algo pessoal: os pais não estão dando chance ao direito que aquela criança tem de se desenvolver. E vive falando que não quer isso para a nossa filha de jeito nenhum.

São coisas NOSSAS. Muito pessoais do tipo de criação que queremos para a nossa filha. Queremos que ela saiba sempre que nós acreditamos nela e que estamos prontos para que elas nos surpreenda.

E não é que ela sempre surpreende?

Aproveitamos um feriado prolongado. Nós conhecemos a nossa filha e sabemos que ela é extremamente adaptável, curte uma farra e é absolutamente bem-resolvida. Se desse tudo errado, nós colocaríamos a fralda de novo e esperaríamos mais, ué. Paciência.

O primeiro dia foi uma empurrada de barriga total da nossa parte. Saímos e obviamente a levamos de fraldas. Ela passou pouco tempo em casa, mas conseguimos que fizesse um ou dois xixis no vaso. No segundo dia, ficamos mais em casa, mas mesmo assim saímos. E dormiu a tarde toda, de fraldas. Muito mais xixi no chão do que no vaso. Mas lá estávamos nós, calmos e pacientes. E fazendo MUITA festa a cada xixi certinho.

Eu comprei um redutor de assento também e nós deixamos que ela escolha se quer fazer xixi no penico, no redutor e em qual banheiro da casa. É uma festa para ela e uma via crucis para nós! hahahahaha Mas estávamos cientes do nosso papel de incentivadores.

Difícil era convencer a criança a parar de brincar para ir ao banheiro. Ixiiiii. Catarina não perde tempo para nada quando está brincando. Tudo é ignorado. E aí rolaram vários xixis no meio das nossas oficinas de dança (sim, eu e ela dançamos toda tarde no meio da sala…rs) e de massinha. Ela dizia “não” ao meu convite de ir ao banheiro e zás…2 minutos depois fazia aquele xixizãaaaaao nas calças.

Mas vez ou outra ainda rolavam uns xixis e cocôs no vaso e a cara dela de satisfação quando isso acontecia era absolutamente impagável.

Expliquei para o Gustavo que, apesar de já ter controle dos músculos da vagina, do ânus e da bexiga, ela ainda não sabia disso. É uma questão de consciência corporal. Quando ela está com a fralda não precisa PENSAR nisso. Não precisa saber como CONTROLAR o corpo dela. Então que era questão dela começar a entender como funcionava o corpinho dela.

Conhecer o processo nos deixa muito mais tranquilos e pacientes.

Recebi uma dica ÓTIMA de uma amiga do Gustavo: dar muitos líquidos para a criança, de forma que ela associe mais rapidamente o processo. Não sei se isso aconteceu, mas ajudou a Catarina a entender que ela conseguia SEGURAR o xixi. Depois de tomar 200ml de suco, por exemplo, a fralda dela logo enchia. Como ela não queria parar de brincar, ela começou a perceber que conseguia segurar. Teve um dia que ela segurou TANTO que eu estava suando frio já. E ela não queria ao banheiro de jeito nenhum. Estava muito ocupada, vocês sabem como é. Até que ela provavelmente não aguentou e fez na calça.

Acho que foi o último grande acidente. A impressão que eu tenho é que ela testou o limite dela e viu até onde ia.

No primeiro dia da escola, rolaram dois acidentes. Eu e a professora nos escrevemos todos os dias na agenda, sobre o status do processo. Contamos uma para a outra como foi o período em que ela ficou com a gente, quantos acidentes foram, como fizemos para incentivar. Nós sempre nos encontramos na entrada e na saída, mas não gosto de ocupá-la nesses horários. Sei que ela precisa estar atenta a um milhão de outras coisas e eu sempre com o carro estacionado no embarque e desembarque. A agenda tem sido uma poderosa aliada.

Nos outros dias, os acidentes começaram a ser cada vez mais raros, em casa e na escola. E para a nossa surpresa, as fraldas começaram a acordar sequinhas. Eu fiquei passada! Achei que demoraria uns meses para que isso acontecesse. Nós aproveitamos e começamos a tirar as fraldas das dormidas. Na soneca da tarde não está mais de fralda. À noite eu ainda coloco porque tenho medo que ela faça xixi de madrugada, fique gelada, acorde e não durma mais. Vou esperar umas 2 semanas sem nada na fralda para tentar tirar… Vamos ver!

Estamos completando 1 semana de desfralde.

No domingo fomos a um restaurante com ela, ficamos 3h30 fora e ela não fez nem um pinguinho de xixi na calcinha. Adorou levantar da mesa e ir ao banheiro de gente grande. Tomou cooooopos de suco e ficou brincando sozinha na área kids.

Foi muito, mas muito mais tranquilo do que eu imaginava. Muito mais do que eu poderia esperar.

Acho que não tem mais bebê aqui em casa. É oficial. Come sozinha, não usa fraldas, desce do carro e vai puxando a malinha para a escolinha, fala, vai sozinha para a cama dormir, desmamou…

Não sou mais mãe de bebê. Sou mãe de criança!

Obs.: 

O que não funcionou: quadro de recompensas, adesivos, livros etc

O que funcionou: dancinhas. Eu faço uma dancinha cada vez que ela faz xixi no vaso e ela repete cada vez que eu faço. Acho que vou ter plateia eternamente no meu xixi! hahahahaha

Funcionou também deixá-la escolher entre penico e redutor de assento e em qual banheiro o xixi ia rolar.

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