Dicas para viajar com crianças


VIAGEM

Eu e meu marido nos conhecemos por causa do nosso gosto por viajar, conhecer novos lugares, novas culturas e novas línguas. Já falávamos de criar nossos filhos como cidadãos do mundo enquanto namorávamos. Não viajamos com mais frequência exclusivamente por questões granísticas, mas isso não nos impediu de levar a Catarina com 5 meses de avião ao Rio de Janeiro pela primeira vez e a Aurora com menos de 2 meses para a praia, por exemplo. Pensar em momentos a dois é lindo, mas a nossa vontade real é sempre mostrar o mundo para as pessoinhas que a gente mais ama. Então não fazemos muita frescura e já caímos na estrada com as meninas mais de uma vez. Recomendo MUITO! Desvendar um novo lugar, ver os olhinhos da criança ao descobrir o novo…é lindo. No texto de hoje, a Dani – de quem sou muito fã – fala sobre isso, dando suas dicas cheias de experiência e sabedoria. E eu concordo com TODAS!

 


 

O QUE EU APRENDI VIAJANDO COM MEU FILHO

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Viajar é uma delicia! Com criança pequena, descobri que é ainda melhor. Eu sempre viajei muito e, desde que meu pequeno nasceu, continuei a viajar. Meu filho Augusto tem dois anos e já fomos juntos para Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Norte, além de várias praias e cidades interioranas aqui em São Paulo.

Para viajar tranquilamente com uma criança pequena é preciso que fique claro: quem manda na viagem é a criança.Aviao O tempo dela deve ser respeitado para que todos possam aproveitar o passeio. Deixe-a dormir quando sentir sono, comer quando sentir fome, parar e brincar quando e onde sentir vontade, interagir com o espaço e com outras pessoas. Ou seja, agendas apertadas e dias extremamente programados só vão servir para deixar todo mundo cansado e estressado.

Evite pacotes de viagem fechados de agência. Você não vai querer perder o dinheiro que já gastou pelo passeio e justo no dia, pode acontecer do seu pequeno querer dormir um pouco a mais. Pode acontecer de o seu filho querer tomar o café da manhã mais lentamente justo no dia que o pacote comprado pede pra sair do hotel às 7h. Evite stress. Se for o caso, alugue um carro. Compre um passeio no local, acerte um passeio com um taxista. Mas respeite os horários do seu filho.

Escolha um hotel próximo das atrações turísticas que você pretende visitar. No caso de uma chuva inesperada, você pode voltar rapidamente para o quarto. Se ele sentir sono depois do almoço, você está a poucos passos do hotel. Nada pior do que andar com criança cansada por aí. Esqueça a ideia de conhecer o maior número de lugares possíveis num dia. Viajar com criança é conhecer os lugares de uma maneira diferente, aproveitando cada minuto, sem pressa.

augusto1Leve um carregador ou um sling. Evite o carrinho se você não conhece bem o lugar pra onde vai. Levar o carrinho de bebê em viagem é um TRABALHÃO. Despachar, carregar nos táxis durante os passeios, empurrar vazio nos momentos em que o bebê não quer ficar no carrinho, as ruas e calçadas inadequadas de lugares que não conhecemos. Restaurantes charmosos que não cabem o carrinho, elevadores de pontos turísticos que os carrinhos não entram. Cidades antigas com ruas de paralepípedo. Praia. Vixe, não dá. Na minha primeira viagem com o meu filho, visitei o Convento da Penha, em Vila Velha, com o carrinho. Quando lá cheguei quase chorei. Quem conhece, sabe: o Convento fica no alto de um morro, o caminho é de pedras e escadarias. Uma alma caridosa que viu minha situação guardou meu carrinho dentro de uma lanchonete no pé do morro, para que eu subisse com o bebê no colo. Ou seja, no fim, carrinho é mais amolação que benefício.

Você pode precisar de alguns momentinhos só entre você e a criança, que pode estranhar o lugar, o hotel, o meio de transporte, a comida, as pessoas. Reserve tempo pra isso. Avise as pessoas que estão viajando com você pra não ficarem chateadas se você não puder acompanha-las em todos os momentos.

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Quando viajei para o Rio Grande do Norte tive uma experiência curiosa. Fiquei alguns dias em Natal, num hotel com muita infraestrutura para os pequenos e alguns dias em São Miguel do

Gostoso, uma cidade charmosa a 2h de Natal, com pouca infraestrutura, numa pousada simples de apenas 8 quartos. O Augusto se divertiu infinitamente mais neste último. Ele pode brincar livremente, com outras crianças do vilarejo, correr pela pousada, correr pela areia da praia e voltar para o quarto quando quisesse. Passou os dias todos de sunga e pé no chão. Brincou demais na água da praia, que quase não tinha ondas. Experimentou novos sabores. Divertiu-se até com os sapos que ele encontrava pelo caminho (eca!), que ele mandava ir lavar o pé, rs. E, ainda hoje, mesmo tendo realizado outras viagens, ele me pede sempre pra voltar para lá. Moral da história: quanto mais simples, maior o encanto.

Para viajar com criança pequena é necessário maior planejamento, rede de apoio, mais economia, diminuir o ritmo, mas compensa. Aproxima as famílias. Descobrir um novo lugar pelo olhar de uma criança tem uma magia difícil de explicar.

 

danicircleDANIELA FALCÃO é mãe-solo do Augusto, feminista, viajante desde que soube que o mundo era redondo. Quando criança, sempre dizia que seria médica e depois professora. Deu quase certo, hoje é nutricionista e pedagoga, mestre em Saúde Pública pela Universidad Americana do Paraguai. Leva a vida brincando, literalmente, no Pé no Chão Espaço de Brincar. É atriz de formação e artista cheia de emoção. Só faz e fala aquilo que vem do coração.

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3 Comentários

Osmar
Responder 2 de novembro de 2017

Belo exemplo da Daniela! Por mais mulheres com essa coragem!

Edson Rocha
Responder 2 de novembro de 2017

Amei o texto.
Simples, e tão cheio de amor e informações pertinentes principalmente a mães de primeira viagem.
Obrigado por ter sua amizade, Dani!
Bjssssssss

Marina Brum
Responder 1 de novembro de 2017

Amei o texto da Dani! Demais!

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