Empatia


Às vezes, pequenas atitudes fazem toda a diferença no nosso dia a dia. Quando as pessoas pensam na gente, se preocupam, se colocam no nosso lugar…isso se chama EMPATIA. É um troço tão bom ter gente empática perto da gente que até aquece o coração.

Especialmente quando estamos grávidas e sensíveis. Eu fico até emocionada de escrever este post! A verdade é que as pessoas são pouco empáticas no geral e não nos acostumamos a ter gente se colocando nos nossos sapatos.

Semana passada, minha cunhada chegou para passar o feriado prolongado em São Paulo. Eu estava (ainda estou) enjoando muito. Sinto muito sono e uma moleza, um cansaço absurdos. Ela trouxe um monte de comida funcional para mim, coisas leves e que sustentavam bem. Eu me alimentava adequadamente e não enjoava! Além disso, ela pegava a Catarina o tempo todo, me olhava e dizia para eu ir deitar que ela dava conta das crianças (ela trouxe também meus 2 sobrinhos). Deu banho, brincou, colocou dormir, fez prato… Eu pude, como pouquíssimas vezes na minha vida de mãe, respeitar a minha fisiologia: dormir quando deu sono, deitar quando fiquei enjoada, comer de 2 em 2h. Ela me olhava e dizia: “Vai lá! Eu sei como essa fase é ruim. Enquanto eu estiver aqui, você vai descansar!”.

Eu ficava num misto de emoções. Envergonhada de deixar “a minha responsabilidade” para outra pessoa (porque sempre aprendi que isso não se faz!), mas tão necessitada de dar ao meu corpo um pouco do que ele precisava naquele momento e tão emocionada com o gesto. Porque vai além do gesto. É alguém ENTENDER o que você está sentindo, ao invés de te olhar, te julgar, dizer que sempre fez tudo sozinho e que não pediu ajuda, que é frescura, que você tem que “lutar contra isso”, que gravidez não é doença.

Essa semana, uma mãe querida de um amiguinho da Cata estava compartilhando no nosso grupo de whatsapp as pesquisas que ela havia feito sobre o preço da lista de material ano que vem. Organizadíssima, ela montou planilhas com os valores individuais de cada item em cada um dos grandes fornecedores aqui do nosso bairro e compartilhou com a gente. Tudo pronto, assim, de mão beijada. Já fiquei feliz da vida pois pesquisar é a parte mais difícil – e mais chata.  A diferença entre o Armarinhos Fernando e a papelaria da escola girava perto de 100%, mas eu fiquei extremamente chateada porque já imaginei que, para a grávida aqui, Armarinhos Fernando era um negócio fora de cogitação. Quem não conhece, explico: em dezembro e janeiro, a gente não acha lugar para estacionar num raio de meio km da loja. Tem fila para entrar. Caos lá dentro. Galera se empurrando. Prateleiras estreitas. O pesadelo ára toda grávida enjoada e de pressão baixa.

Eu já havia superado o fato de que eu teria de pagar o dobro pela lista de material da Catarina.

Aí recebo uma mensagem. Essa mesma mãe estava lá e queria saber se eu queria que ela pegasse o material para a Catarina também. Ela iria comprar para o Enzo e disse que não custaria nada fazer uma cestinha dobrada para a Catarina.

Gente, meu coração foi até o céu e voltou. Eu economizei MUITO dinheiro. Eu não precisei me meter no meio do caos. Eu fiquei em casa, cuidando da cria e ela resolveu tudo para mim. Deixou a sacola na portaria do meu prédio com quase todos os itens da lista comprados.

De novo, fiquei super sem graça. Não somos acostumados a aceitar ajuda de jeito nenhum, não é? É difícil. Medo de incomodar, de dar trabalho, de abusar, de mostrar fragilidade…sei lá. Eu fico pensando que a gente sempre reclama que vivemos tempos egoístas, mas a verdade é que nós somos criados para sermos grandes individualistas…

Meu coração ficou tão quentinho! De novo eu me senti compreendida, entendida, ACOLHIDA.  Nada como palavras de uma mulher que já passou pelo que estamos passando para sentirmos que vai ficar tudo bem e que tudo isso é normal e faz parte – apesar da romantização da gravidez (e da maternidade), onde tudo é lindo e a mulher tem que “brilhar naturalmente”.   “Querida, a minha primeira gravidez foi ótima! Mas na segunda eu até desmaiava por aí. Sei exatamente como você está se sentindo…”.

“Sei exatamente como é”. Tem coisa melhor de se ouvir quando a gente acha que está na pior?

Ontem eu fui trabalhar me sentindo muito mal. Nem estava tão enjoada. Estava fraca, cansada, pensada. Queria ficar deitada. Não podendo, dirigi uns 40 minutos para deixar a Cata na escola e fui trabalhar. Devo ter chegado ao trabalho com a pior cara do ano porque todo mundo dizia para eu ir embora porque estava muito pálida. Como não fui, recebi vários gestos de carinho. As meninas não sabiam o que fazer para me ajudar, para que eu me sentisse melhor. E como é bom se sentir cuidada quando estamos mal, não é?

A essas mulheres, o meu agradecimento sincero. Vocês fizeram a diferença na minha vida esses dias. A todas, que possamos ser sempre a mão estendida umas para as outras. Que possamos crias nossas filhas (e nossos filhos!) nessa vibe de empatia e irmandade em oposição a essa ideia insana de que precisamos nos bastar, de que é feio pedir ajuda e que existe algum tipo de mérito em fazer tudo sozinha, sem ajuda.

Há um provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia inteira para criar uma criança. Eu acredito muito nisso.

Sejamos sempre aldeia.

Ótimo final de semana para vocês,

Ise.

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Crédito de imagem: pixabay

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