Entrevista: consultora em amamentação


Para amamentar, não basta querer. Não basta ter leite. Não basta colocar o bebê próximo ao peito e ver o milagre acontecer, como em “A Lagoa Azul” – eu sempre pensava nisso no primeiro mês amamentando e morria de raiva! hahahaha. Amamentar, conforme os guidelines em vigor, consiste em conhecer as técnicas e os procedimentos do aleitamento na fase da apojadura, em saber como proceder em caso de ausência da mãe, em ordenhar e armazenar o leite adequadamente, em compreender o que é a livre demanda e a amamentação exclusiva, em conhecer confusão de bicos de cor e salteado, em fazer uma introdução alimentar respeitosa e adequada sem deixar que o bebê troque peito por comida antes de 1 ano…e a lista é longa.

Grupos online, bancos de leite, consultoras em amamentação. As opções existem e precisamos estar cientes delas ainda na gravidez.

Só a informação salva. Sendo assim, entrevistei uma verdadeira expert no assunto, a Alessandra. Fora a excelência técnica dela, tenho pessoalmente um carinho gigante e a agradecerei eternamente, pois tenho certeza de que o sucesso da amamentação da Catarina deve ser creditado a ela.

E deixo a minha dica: se você quer amamentar, vá atrás. Mas vá atrás de verdade. Busque segundas, terceiras, quartas opiniões. Procure ajuda técnica! Seja no BLH, seja o de uma consultora, seja das duas formas.

No que eu puder ajudar, estou aqui! Contem comigo!

  1. Que tipo de preparo a mãe pode fazer durante a gravidez para garantir o sucesso da amamentação exclusiva?

É muito importante o médico avaliar a mama durante o pré-natal. Para cada tipo de mama e mamilo há um cuidado diferente. Depende da anatomia, do formato do mamilo: os mamilos curtos e invertidos vão precisar de um cuidado extra e devem ser seguidas as orientações para que não haja uma hiperestimulação que ocasione um trabalho de parto prematuro, por exemplo.

Buscar informações durante o pré-natal minimiza a ansiedade e deixa a mãe mais segura para o grande momento da amamentação. O banho de sol no mamilo (ou abajur) aumenta a resistência da pele e diminui as chances de rachaduras.  O corpo todo pode ser hidratado, mas deve ser evitado o uso de hidratantes nos mamilos para evitar que a pele fique mais fina e sensível.

É importante, desde o pré-natal, o uso de sutiã adequado, sem bojo ou aro com boa sustentação, alças largas e confortáveis.

  1. Na sua opinião, qual a maior dificuldade que as mães enfrentam no início da amamentação?

A maior dificuldade é a ansiedade, o medo, preocupação e a falta de informação correta. Bom seria se a mama fosse graduada e soubéssemos o quanto o bebê está mamando!

O mais importante é a mãe se sentir segura e para isso precisa do apoio da família durante o processo de aprendizagem. As mulheres que têm apoio durante esse período tão importante têm, comprovadamente, mais sucesso na amamentação.

São muitas informações, muita novidade… pega correta, posição correta, a posição das costas, do ombro, com ou sem almofada, arroto, berço…

Amamentar não é fácil, mas vale a pena!

  1. Inegavelmente temos uma estrutura de saúde, seja ela pública ou privada, com profissionais que não estão aptos a orientar às mães com relação à amamentação. Quais alternativas sobram à mãe, tão fragilizada no pós-parto, muitas vezes sem apoio da família, com todos os profissionais ao seu redor dizendo que seu leite não basta ao bebê? Eu mesma saí da maternidade com uma receita de amamentação mista que depois provou-se absolutamente desnecessária…

É um pouco complicado lidar com esse assunto. No mercado de trabalho existem todos os tipos de profissionais, seja na área que for. O processo de amamentação exige tempo e paciência, tanto para a mãe como para o profissional que a acompanha.

O Ministério da Saúde faz inúmeras campanhas a favor do aleitamento materno exclusivo até os seis meses e com complemento alimentar até os 2 anos de idade ou mais. Todos os profissionais que trabalham em maternidade, sejam enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, fonoaudiólogos ou psicólogos são treinados e reciclados periodicamente. Já trabalhei em saúde pública e hoje trabalho com a saúde privada e não há diferença na ênfase do treinamento.

Existem muitas formas de ajudar a mãe nesse processo. Alguns hospitais fazem treinamento no puerpério (período pós-parto) com aula para as mães. Outros fazem cartilha, criam grupos de aconselhamento…

Além das orientações durante o período de internação, que são fundamentais, a mãe pode contar com a ajuda de cursos de gestante, grupos de orientação, sites confiáveis, livros… A verdade é que cada pessoa é única e tem uma necessidade específica, por isso algumas mães têm a sensação de não ter tido assistência enquanto outras saem do hospital prontas para amamentar.

  1. É possível para um bebê em amamentação mista voltar à amamentação exclusiva?

Sim, é possível, mas vamos ter que ter paciência e insistência. Bebês que ficam internados em UTI às vezes precisam de amamentação mista e depois ficam com amamentação exclusiva. Existem casos e casos, temos que olhar para cada um de uma forma diferente. Cada ser é único e não podemos generalizar. O mais importante é evitar o uso de bicos artificiais, seja mamadeira ou chupeta.

  1. O que pode ser feito por um bebê cuja mãe quer manter amamentação exclusiva mas que não ganha peso mês após mês?

Temos que avaliar essa amamentação: se a pega está correta, tempo e intervalos das mamadas, posicionamento adequado… Não existe leite fraco, existem dificuldades com a amamentação e para isso existem profissionais multidisciplinares que podem auxiliar.

  1. Qual o trabalho de uma consultora em amamentação?

A consultora acompanha e avalia a amamentação. Corrige os erros, tira as dúvidas, mostra alternativas de posição, faz um trabalho de atenção exclusiva capacitando a mãe e os familiares que a acompanham para gerar um ambiente de confiança, além de orientar cuidados gerais com as mamas e o processo de amamentar.

De forma geral, ela atua na prevenção de problemas com a amamentação e ajuda a solucionar os problemas já existentes.

consultoradeamamentacao_fotoALESSANDRA SEPPE é enfermeira obstetra pela UNIFESP. Já trabalhou em hospitais da rede pública e atualmente trabalha na rede privada com atendimento obstétrico. Também atua com uma equipe de enfermeiras que faz consultoria em amamentação e cuidados com o recém-nascido em ambiente domiciliar. Para contatá-la, você pode escrever para obstetricia.alessandra@gmail.com.

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