A maternidade me transformou em uma profissional mais feliz


Eu sou a Helen, tenho 27 anos e não esperava que um dia iria escrever um pouco da minha história assim, para ser publicada. Mais uma das coisas boas que a maternidade está me proporcionando… Hoje venho contar sobre a transformação profissional que tive com a chegada do meu João e que tem me feito tão bem.

empreendedorismo materno

Aos 7 anos eu já havia escolhido minha profissão: ser bióloga marinha. Nada nem ninguém me fez desistir de lutar por este sonho durante muitos anos. Me graduei em Biologia, passei na pós graduação em Zootecnia e trabalhava com peixes de água doce. Sempre fui feliz com minhas escolhas profissionais, mas não sentia completamente realizada.

Aos 7 anos também – descobri recentemente através de relatos da minha avó – eu dizia que queria ser mãe. Eu realmente tive esse desejo dentro de mim, muito forte. Queria ser mãe bem nova para desfrutar mais tempo dessa dádiva, só que ao mesmo tempo queria ter estrutura para fornecer o melhor ao meu bebê. Esperei o tempo que achava ser certo e programei minha gravidez para ganhar o meu bebê na época em que iria concluir meu mestrado. Como tomei anticoncepcional por muito tempo e tinha ovários policísticos, a gravidez poderia demorar a acontecer.

No entanto, ela veio antes um pouco do esperado: na metade da pós-graduação e acabei tendo que trancar o curso. Foi nesse momento que tudo começou a mudar. Perdi a bolsa de estudos que era metade da renda da casa e tive que procurar outra forma de conseguir essa renda. Alguém aqui já contou para vocês como é difícil arrumar um emprego grávida? Pois então! Depois de alguns meses tentando eu acabei desistindo.Eu, grávida, sem trabalhar, dentro de casa com tempo livre, aproveitei para descansar amente de tantos anos de estudo e me divertir um pouco.

Não comentei ainda, mas desde bem novinha eu também tinha um hobby que nunca deixei de lado: o amor às artes, principalmente as feitas com as mãos. Foi nesse momento ocioso que pensei em desenhar. Lembro perfeitamente que peguei uma camiseta velha e umas canetas de tinta para tecido e rabisquei um Minion bem fofo. Fiz uma foto e postei na rede social como sempre faço.

O que me chamou atenção foi a quantidade de gente me pedindo para fazer o mesmo com suas camisetas e vários elogios ao desenho. Foi aí que pensei: “Por que não vender minha arte?” Comecei fazendo artesanatos e mimos de mdf para bebês já que eu estava fazendo as coisinhas fofas para receber meu filho. E deu certo. Criei minha página e coloquei o nome de Amor in box porque cada caixinha de mdf iria cheia do meu amor para os clientes…

Tentei expandir o horizonte: me aventurar nos trabalhos com feltros e não parei mais de expandir. Aprendi muitas técnicas e pegava todos os pedidos que recebia, sabendo fazer ou não. O trabalho sempre recebia muitos elogios. Aí meu bebê nasceu!

pé torto congênito gessoO João nasceu, e apesar de ser perfeito para mim, ele veio com uma deformidade no pé esquerdo (Pé Torto Congênito) e o tratamento é bem cansativo, com aplicação de gesso na perna toda e trocas semanais. Tive uma fase difícil de adaptação. Dentre todas as dificuldades da maternidade, eu não soube lidar com a dependência de ter alguém cuidando dele para eu conseguir fazer todo o resto. Eu sempre fui assim: o que eu queria fazer eu ia
lá e fazia, sem pedir ajuda. Eu queria dar conta de tudo sozinha e me frustei muito. Isso me deprimia demais. Ainda hoje estou aprendendo a aceitar a ajuda das pessoas e aceitar que não consigo sozinha. Mas no início esse sentimento me prendia, me amarrava. Eu não sabia ser nada além da mãe do João e mesmo assim não o era completamente.

A vida me deu um empurrão! Quando o João estava com apenas 5 meses me separei e mudei de cidade (estava no MS e voltei para MG onde meus pais moravam) e ele ainda estava no auge do tratamento do seu pezinho, a poucos dias de passar por uma cirurgia. “E agora? O que vou fazer?” Até então os artesanatos eram complementação de renda. Será se eu ia conseguir me sustentar só com a arte? Como vou trabalhar e deixar o João recém operado e ainda com uso de gesso com outra pessoa? Por mais que tivesse minha mãe para ajudar, eu não conseguia abrir mão de cuidar do meu filho pessoalmente.

E o artesanato? Vou ter clientes? As pessoas são preconceituosas e até eu mesma fui no início. Eu fui embora para fazer um mestrado e voltei com um filho e fazendo trabalhos manuais? Eu teria coragem…

Pois eu tive! Foi difícil mais uma vez me readaptar à nova vida. Mas eu estava um pouco em dúvida sobre como fazer trabalhos que na minha cidade muita gente já fazia. Mdf e feltro por aqui em Minas está bem saturado de artesãos.

Fiz alguns trabalhos e o tempo foi passando. Um dia, uma amiga me pediu para fazer flores gigantes de papel para o aniversário de um ano de sua filha e depois um primo me perguntou se eu sabia fazer um caderno artesanal para ele presentear sua namorada. Foi aí que eu vi onde poderia explorar. Fiz uns cursos online e me aperfeiçoei na técnica de de encadernação manual artística e estou apaixonada por tudo que é feito com o papel!

Hoje a Amor in box é uma Arteiria onde eu faço minhas travessuras brincando com o papel. Ainda estou iniciandohome office após a maternidade nesse novo conceito. O importante é que agora eu sei o que quero, sei aonde quero chegar e estou muito feliz de ter me transformado em uma Paper Artist graças ao meu lindo e maravilhoso filho, que agora com um aninho já é um arteiro junto com a mamãe. O tratamento dele com os gessos acabou, ele usa uma órtese ortopédica apenas para manter o pé corrigido. Já arisca uns passinhos e a mamãe está superorgulhosa da força e capacidade de superação que o João tem.

Hoje me sinto realizada em cada trabalho concluído e muito feliz com os elogios que recebo. Graças a Deus e ao João tive força para superar tudo e me redescobrir como pessoa e profissional. Por fim, sempre defendi que devemos fazer o que amamos, mas hoje eu sei que além de amar é preciso ter o dom. Eu sempre amei a biologia, amo a pesquisa científica assim como eu amo as artes, mas eu nasci mesmo foi com o dom de criar e compartilhar amor nos meus artesanatos,  o Amor in box! E estou feliz por compartilhar com vocês um pouco da minha história. Que vocês também não desistam nunca!

helen jamille

HELEN JAMILLE tem 27 anos e é formada em Ciências Biológicas. Mãe do João Pedro, de 1 ano, é paper artist, arteira e proprietária do Amor in Box desde a gravidez. Você também pode encontrá-la no Instagram.

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2 Comentários

Maiara
Responder 9 de agosto de 2016

Linda historia de vida...
Muito amor, coragem e determinaçao...
E lindo bebe tambem...
Parabens!!

Indianara Veloso
Responder 9 de agosto de 2016

Muito lindo. Parabéns, Hellen, que Deus só aumente as bênçãos na vida de vcs. ❤

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