O papel das frustrações no desenvolvimento da criança


Quando trabalhamos muitos anos com crianças antes de ser mãe temos tempo suficiente para decidir como NÃO queremos criar nossos filhos. Acredito que seja uma posição extremamente confortável poder assistir às pessoas criando filhos e observar, de cima do camarote, o que dá certo e o que não dá – especialmente quando os filhos estão longe dos pais.

Apesar de muitas linhas psicológicas defenderem que a maturidade vem com o tempo e naturalmente, eu não acredito nisso. Eu acredito na capacidade da criança de APRENDER se ensinada. E, ao contrário do que muitas dessas mesmas linhas propõem por aí, acho que sim, SEGURANÇA é algo a ser ensinado. Não basta definitivamente fazer cama compartilhada e voilà, achar tem uma criança segura. Inteligência emocional é aprendizado para uma vida toda – mas fica mais fácil se você é ensinado desde pequeno. Já falei sobre isso AQUI.

Eu concordo demais com a Isabella Ianelli – com quem, aliás, tive a honra de trabalhar – num post antigo do blog Papo de Homem:  Somos uma geração de mimados criando outros mimados.

Veja bem: o contrário ao “mimo”, aqui ou no post da Isabella,  não é falta de zelo ou falta de amor. É uma espécie de superproteção da cria perante todas as dificuldades da vida que não permite que ele desenvolva estratégias para lidar com as frustrações e decepções que eventualmente vão aparecer. Faz parte da vida, faz parte do mundo, faz parte da realidade. Todos vamos nos frustrar e nos decepcionar em alguns momentos – às vezes em incontáveis ocasiões no mesmo dia.

Não dar ferramentas para que a criança aprenda a lidar com as frustrações é impedir que ela amadureça e se torne mais forte, tornando-se um adulto que enfrenta desafios com menos receios, medo e insegurança.

Eu sempre tenho a impressão de que o berço de toda superproteção é o egoísmo, com uma boa pitada de descrença na capacidade alheia – no caso, das crianças. Vocês não?

Claro que não existe receita de bolo. Claro que não é fácil criar um outro ser humano. Claro que eventualmente estamos cansadas demais até para educar – e acaba que deixamos AQUELA uma ou outra coisa passar. Mas a responsabilidade de ter a formação psíquica de outro ser nos obriga a fazer revisões constantes no nosso modus operandi, nas nossas posturas, nos nossos posicionamentos. Eliminar toda e qualquer decepção, frustração, tédio, confronto e conflito na vida dos filhos NÃO É PROVA DE AMOR. É a demonstração de uma superproteção doentia que faz do protegido a principal vítima. As frustrações fazem com que a criança crie parâmetros internos para lidar com situações de conflito. Faz parte do desenvolvimento infantil. Faz parte do crescer.  É nesse momento que a criança aprende a se equilibrar diante de um desconforto e leva o aprendizado para a vida.

É importante que a criança experimente a situação ruim – e principalmente que descubra que ela passa logo.

Não façamos nossos filhos reféns das nossas dificuldades. Acreditemos no potencial deles: ELES SÃO CAPAZES!

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