O que seu filho aprende nas festinhas da escola?


Alguns amam, outros odeiam. Nessa época, não é incomum ver pais reclamando dos pedidos das escolas (dinheiro, roupa, tempo…) para que as festinhas de encerramento ocorram. Eu sou da ala dos empolgados, adoro ver a minha maior obra-prima lá, toda exibida no palco. Meu olho se enche de lágrima e eu não acredito que fui capaz de fazer uma PESSOA inteirinha, tão pequena e tão capaz de cantar, dançar e se mexer. Fico sempre passada! hahahaha

Não importa em qual lado você esteja, uma coisa é fato: mais do que fazer a alegria (ou não) dos adultos espectadores, as crianças aprendem muitas coisas durante esse período de festinhas no final do ano. Já pensou nisso? As contribuições ao processo de aprendizagem e ao desenvolvimento cognitivo são inúmeras.

  • Superação e persistência

Para você, adulto, bater 2 palminhas, rodar e sentar pode parecer muito fácil e simples. Entretanto, para as crianças menores, tentar, tentar e tentar mais um pouco até finalmente conseguir pode ser uma lição valiosa. Além disso, várias crianças são tímidas ou tem um pouco de medo de fazer algo sozinhas em um ambiente estranho (mesmo que seja a escola de sempre, é a escola cheia de gente estranha!) e ser o centro das atenções. Acredite: medo de palco é real para alguns adultos e muitas crianças superam uma situação toda atípica para se apresentar. O esforço deve ser sempre elogiado. Muitos adultos não têm a coragem deles…

  • Responsabilidade

A criança aprende que ela é parte de um todo e tem uma responsabilidade perante o grupo, seja para não deixar seu par sozinho, seja para ajudar as outras crianças a marcar seus lugares só com a sua presença. Além disso, tem a responsabilidade dos ensaios – e não achem que eles não entendem. Eles sabem que estão ensaiando para mostrar a vocês o quão dedicados eles podem ser. Aprecie!

dança na escola

  • Capacidade de seguir instruções

Antes que você possa perceber, ele terá de ler enunciados em uma prova e fazer o que se pede, por exemplo. A vida é uma série de instruções que precisamos seguir para viver em sociedade. Ficar em cima do “X”, não sair da fila, dançar com o amiguinho ao lado, seguir os passos da música… treino puro para a vida: escolar e non.

  • Repetição

A repetição é chamada de processo de manutenção do aprendizado. Lacan coloca a repetição como um dos 4 pilares fundamentais da psicanálise (junto à transferência, inconsciente e pulsão). É através dela que o cérebro decide a relevância das informações a se guardar, logo a criança está aprendendo ao repetir. Mas o que ela aprende dançando uma música na escolinha? Ora, tanto! Desenvolve ritmo (habilidade que será posteriormente acionada no período de alfabetização!), coordenação motora grossa, ampliação dos movimentos, consciência corporal (como o corpo se relaciona com o espaço) e assim por diante. Parece pouco, mas pense que há meia década, essa criança mal andava. Os avanços motores do seu pequeno dançarino foram gigantescos!

  • Atenção

Está cada vez mais difícil ensinar as crianças a terem foco, uma vez que os estímulos tecnológicos são muitos e, como consequência, temos uma geração que começa as coisas e não termina, desiste frente às pequenas dificuldades, não sabe lidar com o ócio e nem com os momentos de solidão, tão naturais e até necessários à vida. Quem assiste não tem a menor noção de como foi o processo de chamar a atenção do grupo e ensiná-los a ficar nos vários detalhes que precisam estar sob os olhinhos atentos das crianças enquanto se apresentam. Eles precisam saber a coreografia e/ou a letra da música, o momento de começar, como entrar no palco, onde ficar, seguir os amigos, seguir a música, saber para onde olhar se esquecerem o que fazer… é um esforço gigante para eles, mais ou menos como foi quando você pegou um carro para dirigir pela primeira vez na rua. A atenção é total! Desnecessário explicar a importância do foco na vida.

  • Memória

Na infância, a memória das crianças se confundem entre o real e o imaginário. Alguns estudos mostram que podemos perder as memórias da primeira-infância com mais facilidade em virtude da criação concomitante e contínua de conexões neurais. Assim, para criar uma lembrança que persiste, é preciso repetir inúmeras vezes a coisa a ser memorizada de forma a registrá-la corretamente na memória. A coreografia que parece extremamente simples para o adulto foi um exercício avançadíssimo de neurociência para seu filho menor de 7 anos.

festa na escola

  • Auto-estima

Como a vida real não é um conto de fadas, às vezes passamos menos tempo do que gostaríamos com os nossos filhos, ou acabamos por brigar com eles (ou em frente deles) mais do que gostaríamos. Às vezes também somos humanos e agimos de maneira que não deveríamos perto deles – e as crianças sempre prestam atenção. Em virtude disso, sem querer, podemos acabar minando um pouco sua auto-estima ou segurança. Ao ver a família se organizar para ir assisti-lo, os esforços para encontrar as roupas ideias, estar fantasiado, vestido diferente pode fazer com que a criança se sinta mais especial, segura e querida.

Essas – e muitas outras habilidades – trabalhadas durante as festas de final de ano nas escolas são e serão aplicadas em outras tantas atividades da vida daquele indivíduo que hoje é uma criança, mas que você está batalhando tanto para que seja uma pessoa de bem. Que tal valorizar (ainda mais!) todo o trabalho dele ou dela para te apresentar aquela dancinha na escola?

Boas apresentações,

Ise.

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imagens pixabay

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2 Comentários

Juliana Reis
Responder 3 de dezembro de 2017

Hj foi a apresentação da minha filha. Ela só tem 2 anos e 5 meses e é extremamente timida. Mas, para minha surpresa, ela foi muito bem. Fiquei muito emocionada!

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