O verdadeiro tempo de cada criança


Um dos mantras mais repetidos nos meios maternos é que “cada criança tem seu tempo”. Isso é uma meia-verdade pois, como já contamos AQUI pode, inclusive, mascarar alguma necessidade rápida que seu filho tenha de intervenção. Existem parâmetros que mostram grosseiramente mais ou menos em qual altura da escada o seu filho deveria estar com determinada idade.

Mas não é desse tempo que eu quero falar hoje. Quero falar de timing, aquele momento em que é você o responsável por pegar na mão do seu filho e ajudá-lo a subir um degrau na tal escada. E esse timing a gente só consegue com muita, mas muita observação. É o verdadeiro tempo de cada criança.

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A hora de dar banho em pé no chuveiro, por exemplo, é a hora em que a criança começa a ficar em pé na banheira ou em que ela começa a pesar muito no colo e fica difícil para virar de um lado para o outro debaixo do chuveiro com a habilidade de antes e você sabe que a criança fica bem firme em pé, mesmo que segurando nos azulejos. É menos perigoso dar banho em pé, por exemplo, do que deixar seu filho levantar na banheira ou acabar por escorregar ou deixá-lo escorregar do seu colo. O timing da Catarina foi com uns 10 meses. Meu marido começou a dar banho nela quando ela ficou muito pesada para mim (tirando o primeiro mês, sempre demos banho no chuveiro). Só que uma hora ela começou a ficar muito pesada para ele também. Ela não andava ainda (nem estava perto disso), mas já ficava bem firme em pé, segurando nas paredes.

A hora de descer a grade do berço é quando a criança senta pela primeira vez. Sim, pois ela vai levantar a qualquer momento depois disso. E bem pior será descobrir que ela resolveu fazer isso quando você não estava perto – pior: estava bela e tranquila na certeza de que a cria estava no maior sono. Em tempo: a norma de segurança para a criança no berço é que as grande estejam NO MÍNIMO na axila delas. Se estiverem abaixo, há risco de queda. Atenção à kit berço ou algum cobertor ou bichinho que a criança possa usar como degrau. Não dá para postergar: queda de berço só não supera as mortes de crianças que caem nas piscinas. Um dia faz sim toda a diferença.

Mas os timings que me encantam são os timings mais silenciosos, aqueles em que a gente tem que prestar atenção ao desenvolvimento e à personalidade do filho para tomar decisões. A hora de desfraldar. A hora de ir do berço para a cama. A hora de ensinar a dormir sem peito. A hora de deixar o filho sob os cuidados de terceiros. A hora de parar de segui-lo no parque ou numa festinha enquanto estiver brincando. A hora de comprar AQUELE brinquedo. A hora de levar a um lugar pela primeira vez (show, cinema, teatro..). A hora de deixar subir sozinho no escorregador. A hora de deixar comer sozinho. A hora de tirar a chupeta. Acho que a lista é infinita…

E não, não é só deixar a água rolar. Existe um timing perfeito para cada criança, sem que você a coloque em ansiedade e sem que você menospreze sua capacidade. É muito comum, muito mesmo, menosprezar a capacidade das crianças por insegurança nossa. Deixar uma criança de 4 anos chupar chupeta, por exemplo, porque nós temos medo de frustrá-la e de não saber como enfrentar a situação. Deixar uma criança que nem cabe mais no berço dormir lá. Dar banho em uma criança que sabe andar no colo.

formaturaAs crianças precisam da segurança de que os pais confiam nela para crescer de maneira saudável. Elas precisam sentir que nós sabemos que elas são capazes. Quem é que consegue fazer alguma coisa nova se percebe a tensão no ar e todo mundo olhando com cara de “Ai meu Deus!”?

Não menosprezem as crianças de vocês. É o erro mais comum quando tentamos superprotegê-las. Eles só se sentirão capazes se você mostrar que acredita nisso de verdade.

Quando a gente observa atentamente os sinais que as crianças nos dão (sim, porque elas dão!) fica mais fácil de acertar a hora das coisas.

Quando eu fiquei fazendo unha, totalmente fora da vista dela (em outro andar) enquanto ela brincava no parquinho e ficamos longe uma da outra por 3 horas, eu percebi que ela estava pronta para brincar fora do meu campo visão sem problemas. Ontem fomos a uma festa de aniversário e ela ficou solta pelo buffet, enquanto eu e o Gustavo conversávamos com nossos amigos.

Quando ela começou a terminar as mamadas da noite e sentar do meu lado, rindo, eu percebi que poderia ensiná-la a ir para a cama acordada e ficar lá até o sono chegar. Ela tinha pouco menos de um ano. Aproveitei e comecei a usar o mesmo método na soneca da tarde. Ela estava me gritando que estava pronta para isso.

Desfraldar, por exemplo, é uma coisa que eu havia me programado para fazer agora nas férias de verão. Comprei um penico há uns meses para ela ir acostumando com a ideia e pretendia deixá-la só de calcinha agora no calor. Mas não rolou: a Catarina, apesar de estar subindo bem escadas, não avisa quando vai fazer xixi ou cocô e nem quando já fez! Se não ficarmos olhando a fralda dela nos bat-horários, ela acaba assada. Raramente ela indica que fez cocô. Ou seja: não está pronta. Preciso começar a ensiná-la a me avisar antes de pensar em desfralde.

Como professora, estou acostumada a ensinar as coisas por partes. Não posso dar análise morfológica sem antes ensinar o que é um verbo ou um substantivo. Isso vale para tudo o que você for ensinar a uma criança….tem que ser por partes. Não adianta tentar desmamar se você não ensinou a dormir sozinho. Não adianta eu desfraldar uma criança que não sabe pedir para fazer xixi ou cocô. Pode ser que ela simplesmente não saiba pedir, pode ser que ela ainda não tenha controle do esfíncter.

Eu achei que a Catarina estava pronta para ir para a cama mais ou menos com uns 15-16 meses, quando ela começou

Primeira noite na caminha: sucesso!

Primeira noite na caminha: sucesso!

a pedir para ir para o berço depois de escovar os dentes na nossa rotina da soneca à tarde. Mas não coloquei a cama direto. Fiz todo um processo de ir tirando os pedaços do kit berço devagar (ela dormia sem cima deles, o que significaria que iria acabar caindo da cama…rs), de colocar o travesseiro (bebês não só não precisam de travesseiro como NÃO DEVEM usá-lo), de explicar o que iria acontecer um milhão de vezes. Uns 2 ou 3 meses depois achei que já dava, mas aí tivemos de esperar o papai entrar de férias para montar a caminha (aqui no meu prédio isso só pode ser feito em horário comercial). E foi muito tranquilo. Hoje ela faz a rotina da noite, dá beijo de boa noite e vai para a cama com o nenê e a Djudju (nome da corujinha dela). Quando acorda de manhã, vem no nosso quarto nos acordar se ainda estivermos dormindo. Super segura e tranquila, como nós estivemos durante o processo. Fizemos a maior festa quando montamos a cama, batíamos palmas cada vez que ela subia ou descia.

Quando visitamos a escola, ela subiu no colo da coordenadora e me deu “tchau, mamãe”, eu sabia que ela estava pronta.

Quando ela começou a pegar a colher da minha mão, percebi que precisava deixá-la comer sozinha com mais frequência. E introduzi o garfinho, que facilita mais para alguém com coordenação motora em desenvolvimento.

E assim, observando tudo, a gente não tem como errar. Eles ficam seguros e nós, tranquilas.

Ótima semana para vocês,

Ise.

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Imagens: pixabay e arquivo pessoal

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