Padecer no Paraíso: Aham. Senta lá, Cláudia.


Eu adoro chocolate. Adoro não, AMO. Sou viciada, tenho crise de abstinência se não comer. Gosto de ao leite bem docinho, mas se estiver com vontade como até o meio-amargo. Encaro branco sem problemas. Vai bem com tudo. Morro de felicidade quando como chocolate. Dia ideal para mim é Netflix mais caixa de chocolate.

Mas nem tudo são flores nesse relacionamento: chocolate engorda, chocolate detona a pele, chocolate entope suas veias, chocolate te deixa viciado e dependente.

Eu o amo mesmo assim. Muito. Loucamente. Apesar de tudo isso.

Isso não quer dizer que se eu disser que “é uma merda o fato de que chocolate engorda” eu esteja proibida de continuar gostando de chocolate, certo? Eu gostar de chocolate é um fato. Eu não gostar do lado ruim do chocolate é totalmente independente do primeiro fato.

Deu para seguir o raciocínio? Está bem desenhado, não está?

ENTÃO VAMOS PARAR COM ESSA PALHAÇADA DE QUE “Ser mãe é padecer no paraíso”. Senta lá, Cláudia. A gente padece é bem no inferno, no camarote 666, tomando o Toddynho do Demo.

Ser mãe é MUITO foda. Não é fodinha não. É FODA.

Nem preciso explicar todos os porquês aqui porque ó…vocês sabem de cor e salteado tanto quanto eu.

Ninguém deixa de amar um filho loucamente porque ele não dorme à noite, deixa? Existe alguém nesse planeta que GOSTE de acordar 10 vezes numa madrugada porque tem um molar nascendo e um dia de trabalho cheio te esperando em 2h?

Não conheço.

A gente faz porque precisa, porque é necessário, porque ama a CRIA – e não porque ama ACORDAR DE MADRUGADA.

Então muito, mas muito menos hipocrisia e julgamento – e muito mais simpatia e sororidade.

Puerpério por si só, já é complicado demais. Puerpério de uma mãe com depressão pós-parto definitivamente não precisa de uma enxurrada de mensagens dizendo que ela é péssima mãe, precisa morrer, que o filho dela tem muito azar, que ela não sabe o que é ser mãe.

Provavelmente, ela já achava tudo isso sem que ninguém dissesse.

Já bastam os homens chamando puerpério de frescura. Não façamos isso com outras mulheres.

Um dos textos mais lidos e compartilhados do blog é ESTE, exatamente sobre essa questão: “Pelo direito de ser gente”. Abrir mão da nossa humanidade e imperfeição nunca pode resultar em boa coisa, gente.

Vamos combinar: se tem alguém padecendo, é porque não é Paraíso, né?

 

 

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2 Comentários

Patricia
Responder 21 de agosto de 2016

Padecer no inferno mesmo. Amo a sinceridade, nada de anjinhos e foda mesmo. Nada de visão romântica, a verdade eh que ser mãe eh muito difícil.

Renata Leitão
Responder 19 de fevereiro de 2016

Olha, eu tive depressão pós-parto, que se tornou uma depressão presente e possivelmente TAG. Não sei qual é o prazer que as mães têm em se mostrarem "super". Não somos "super". Não temos que ser "super". E se você se acha "super" provavelmente está sobrecarregada ou tem alguém aguentando as pontas por você. Sou da política do "se não tem nada de bom a acrescentar, apenas guarde seus comentários pra você". Ou o pessoal acha que vão fazer a mulher mudar seu modo de ser enchendo ela de comentários cruéis?
(e olha que eu nem li a postagem em questão, mas sei do que se trata porque... é tão comum, infelizmente)

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