Porque quero ter mais filhos


As pessoas sempre me perguntam se eu quero ter mais filhos e nunca me ocorre uma resposta diferente de um animado “Claro!” na cabeça. Eu costumo tentar disfarçar e soltar um calculado “Ah…acho que sim…mas mais pra frente…” só para não fazer a louca porque a minha vontade é de responder “Opa! Manda mais uns 4!”.

Já prevendo o discurso que vem depois da pergunta, eu dou essa reposta de forma que eu fique só concordando com baby looking at the mothera cabeça depois enquanto a pessoa fala porque – momento confissão – eu tenho preguiça de discutir isso.  “Dá muito trabalho…”, “Custa muito caro…”, “Precisa de espaço…”, “Tem que abrir mão de muita coisa…” e por aí vai.

Dá muito trabalho. MESMO. MUIIIIIIIITO MESMO. E educar dá milhões de vezes mais trabalho do que criar. Trocar fralda 30 vezes no dia não é problema. Difícil mesmo é trocar fralda 30 vezes por dia de uma criança que não quer trocar fralda e fica se debatendo.  Ser feito de bobo não é difícil. Difícil é você dizer não por necessidade, mesmo estando muuuuuuuuerta com faruefa e sabendo do trabalho insano que essa resposta vai trazer consigo.

Custa MUITO, mas MUITO caro. Entre escola e plano de saúde, Catarina compromete um orçamento de fazer inveja ao PIB de um pequeno país. Isso sem falar das roupas (de uma estação para a outra não se aproveita NADA!), dos tênis (como pode um pé crescer tão rápido?), do leite (precisei parar de amamentar…grande rombo orçamentário!), da farmácia (desfraldou, mas continua gastando com farmácia!), da alimentação (alimentar saudável e com qualidade também custa…), dos presentes de aniversário para os amiguinhos, das suas próprias festinhas de aniversário…e a lista vai assim, infinitamente. Mas olha, felicidade não custa um real.

Precisa de espaço sim, seja em casa, seja no lazer (que quase sempre custa também). Mas espaço para guardar os milhões de coisas que as crianças trazem com elas quando nascem e do que vão acumulando com o tempo. Precisa de espaço para correr, para brincar, para ser criança de pé no chão e sol na cabeça. Mas olha, meus melhores momentos na vida foram em pequenos espaços, pertinho das pessoas que amo.

bebê com mãe cansada

Mãe sem dormir

Tem que abrir mão de muita coisa sim. Do sono, de poder controlar seu próprio horário de ir ao banheiro, muitas vezes da carreira, de um curso maravilhoso que você queria fazer, do mestrado que ficou para trás, daquela aula de francês que você sempre quis fazer, da academia, das roupas bonitas compradas no shopping, da sala arrumada, do seu canto no sofá…e a lista vai assim, infinitamente. Mas olha, as melhores coisas que eu conquistei nessa vida deram MUITO trabalho.

Filho não é uma escolha racionalizada. Se fosse, o planejamento familiar estaria perdido. Nós sempre estamos esperando a hora certa – e ela nunca vai chegar. Você vai sempre ter uma viagem para fazer, uma promoção para ganhar, uma grana para juntar, um carro para trocar. Você não tem como garantir como serão os próximos 25 anos da sua vida. Você pode morrer amanhã ou daqui 5 anos. Ou seu companheiro ou companheira – e aí você precisar mudar todo o planejamento inicial. Não existe planejamento para 25 anos. A gente só torce para que tudo dê certo.

Ter filhos é uma escolha que envolve fé. Fé de que tudo vá se encaixar e que você vai ter força suficiente de enfrentar toda a turbulência que aparecer nos próximos anos.

Todas as vezes em que vejo a Catarina sozinha no final de semana, eu penso que ela precisa ter um irmão. Ela precisa ter um irmão porque nunca existe um momento de ócio que não resulte em travessura, em criatividade, em companheirismo. Ela pode sair, brincar com os amiguinhos, com as crianças do prédio…mas nunca será a mesma coisa. Ela vai sempre voltar sozinha para casa. A brincadeira sempre tem um fim. Quem tem irmão sabe que chegar em casa significa só que a brincadeira mudou de lugar. Dá para zonear no banho e dar risada embaixo das cobertas de madrugada.

E isso me faz querer ter outro filho.

gravida

Toda vez que olho para o meu marido, penso na pessoa maravilhosa que ele é e no pai extraordinário que se tornou. Eu quero mais um milhão de crianças com a cara dele correndo pela casa. Eu quero ver o olhar apaixonado dele para nossa cria multiplicado.

E isso me faz querer ter outro filho.

Todas as vezes que eu e meu irmão ficamos falando basteira no whatsapp, eu penso que não posso privar a Catarina

siblings

Meu aniversário de 8 anos – 1992

disso. Das piadas internas, das recordações ridículas, das histórias de infância, dos programas de TV que assistimos juntos e de um entendimento sobre a nossa família que só eu e ele temos. Da certeza de ter outro pedaço de mim no mundo. Da certeza de que eu sempre vou ter alguém cuidando de mim. Da certeza de que ele vai ser sempre meu bebê. Da certeza de que eu nunca estarei sozinha. Eu amo meu irmão loucamente. Não quero privar a Catarina dessa relação que é única no mundo.

E isso me faz querer ter outro filho.

Todas as vezes em que eu olho para a família que eu construí e morro de orgulho, penso que é um verdadeiro desperdício não ter mais de nós por aí! hahahahaha Penso nas nossas sextas de pizza animadas, nas viagens, nos Natais. Precisamos de mais gente para animar o baile!

happy family

E isso me faz querer ter outro filho.

baby girlTodas as vezes que vejo fotos do parto da Catarina, do primeiro aninho, da amamentação…sei que eu não estou pronta para nunca mais sentir isso de novo. Eu quero ver meu marido conversar com a minha barriga, eu quero poder dar a notícia de gravidez para ele de novo – de um jeito menos afobado dessa vez hahaha, quero fazer outros mil ultrassons, quero ir lá na minha médica bater papo e fazer consultas de mais de 1h no pré-natal, quero usar de novo o doppler que eu comprei para ficar ouvindo o coração do nenê (hahahaha sou dessas!), quero ir para o hospital de novo, quero ver meu marido desesperado igual barata tonta na sala de parto, quero ver aquele choro dele mais uma vez, quero sair com um nenezinho novinho em folha para carregar no sling, dar de mamá, deixar a Catarina empurrar no carrinho e o Gustavo fazer arrotar. Quero tudo isso sabendo tudo o que eu aprendi sendo mãe da Catarina.

E isso me faz querer ter outro filho.

Quero ter outro filho porque ter filhos vicia. O cheiro da cabeça deles, o toque da mãozinha, a emoção dos primeiros passinhos, as novidades em cada fase do desenvolvimento. A primeira festa na escola, o primeiro dente que cai, a primeira frase lida, o primeiro amor, a primeira balada… quero muito, muito disso tudo. Tenho muito amor para dar, muita vontade de ser a pessoa preferida de outra pessoinha nesse mundo.

Filhos são puro amor. E o amor nunca se divide…só se multiplica. Infinitamente…

Fotos de arquivo pessoal. Não reproduzir sem autorização!

 

 

 

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2 Comentários

Cristiane Amorim
Responder 15 de agosto de 2016

PERFEITO!!

Juliana Reis
Responder 12 de agosto de 2016

Puxa..., queria ter esse ânimo. Mas, na verdade, pelo menos para mim, a coisa funciona de outra forma. Adoro ser mãe da Bianca, mas tbm adoro ser a esposa do Ricardo e pura e simplesmente adoro ser a Juliana. Sinto que, com a maternidade, tive q deixar muita coisa pra trás. Não vejo a hora da Bi crescer mais um pouquinho para que eu, aos poucos, consiga retomar o fio da meada. Aí, só de pensar em ter outro... me dá uma preguiça. ... fora o alto custo que, infelizmente, não dá pra fingir que não existe. Mas, de coração, se essa for a sua vontade, desejo q tudo ocorra da forma como vc sonha! Te acho uma super mãe! Bjs

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