Retomando a minha vida: voltar a ler (+ sugestão de leitura)


Ler sempre foi uma parte muito grande e muito importante da minha vida. E a parte de mim que mais me fez falta após o nascimento da Catarina.

Não sei se tem gente que consegue. Eu não consegui sentar e ler um livro por muitos e muitos meses. Primeiro que eu gosto de sentar e ler de uma vez. Tenho horror a ler de picadinho e ficar dias com o livro morgando sem terminar. UÓ. Não preciso nem dizer que quando a gente tem um bebê, nunca mais consegue fazer nada se não for de picadinho. Especialmente se você tem um bebê mega agitado que não é muito fã de sonecas diurnas. Segundo que quando o bebê finalmente dorme, a gente sempre tem um milhão de coisas menos importantes para fazer. Coisas bem bobas mesmo, tipo se alimentar, fazer xixi, trabalhar.

Sendo assim, eu simplesmente aceitei que temporariamente a leitura não me pertencia mais. Contentei-me, entretanto, com as leituras da blogosfera materna, das revistas de bebê, dos papers sobre desenvolvimento infantil. É o momento da Catarina e ela é a prioridade.

De repente, me vi numa época mais tranquila. As sonecas diurnas estavam bem estruturadas dentro da rotina dela, estou trazendo menos trabalho para casa, o Gustavo assume bem a rotina no final de semana, ela come também ao invés de passar o dia pendurada no peito. Achei que estivesse chegando a hora de retomar um pouco do meu prazer nos momentos que já são meus. Conversei um pouco sobre isso com o marido, que mega me apoiou. Ele também gosta muito de ler e claro que não parou nesse período. As abstinências cabem todas a nós…rs Verdade seja dita que ele nunca lê em casa, lê sempre no trajeto casa-trabalho-casa. Ainda assim, eu não tenho essa opção: estou sempre com a Catarina, o que significa que eu dirijo para cima e para baixo o tempo todo. Dou sorte se conseguir ouvir alguns áudios do whatsapp.

Naquela mesma semana, vimos uma entrevista na GloboNews que chamou nossa atenção. Era um jornalista que pesquisou a vida de jovens mães solteiras católicas nos anos 50 na Irlanda. Elas eram enviadas para conventos onde passavam a gravidez escondidas, pariam e ficavam até alguns anos depois do nascimento da criança. Nada disso era de graça: além da família pagar um valor x, elas trabalhavam (muito) para pagar sua estadia às freiras. As crianças eram colocadas para adoção e assim eram separadas de suas mães por volta dos 3 anos de idade.

Gu chegou com o livro para mim numa véspera de feriado e pediu para que a Catarina me desse. Ela o fez sorrindo, o que para mim foi muito significativo. Quase como que um aval dela para que eu fizesse minha leitura. Ele assumiu praticamente toda a rotina nos 3 dias que se seguiram e eu fiquei lendo boa parte do tempo. Várias vezes, parei. Precisa de tempo para respirar, perdia a coragem de continuar. Veja bem, uma coisa é ler algo assim antes de ter um bebê…e outra completamente diferente é imaginar essa realidade com o cheiro do seu filho inundando seu nariz e sei coração.

Philomena

O livro conta em detalhes a vida de uma dessas jovens mães – Philomena – que teve seu filho levado para os EUA aos 3 anos. Como um quebra-cabeças, ela e o jornalista montam pedaço a pedaço a vida dessa criança que acaba por se tornar um nome de peso na Casa Branca. O cenário é toda a política e história da Irlanda e dos Estados Unidos, desde a década de 50 até os dias de hoje.

Foi uma leitura muito pesada – agradavelmente pesada. O livro me tocou muito e foi bem difícil lidar com o final dele. Fiquei órfã por dias e não tive até hoje coragem de assistir ao filme para não perder a sensação que ficou. O gostinho.

Recomendo demais. O livro é de uma sensibilidade absurda, a escrita leve e a tradução excelente. Depois me contem o que acharam. Não esqueçam da caixa de lenços…

CUIDADO SPOILER – leia mais sobre a história.

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July 10, 2015

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