Tratamento do câncer de tireóide – fase 1: Tireoidectomia total


Eu contei há um tempo como descobri o câncer de tireóide. Recebi muitas perguntas por e-mail então vou continuar falando um pouco disso – em doses homeopáticas, porque é bastante dolorido para mim relembrar dos últimos meses, apesar de tudo ter dado certo e eu estar curada.

Não tem opção. O parte mais importante do tratamento para o câncer de tireoide é a tireoidectomia total, ou seja, a retirada total da tireoide. É razoavelmente simples do ponto de vista técnico, mas é uma bomba para o nosso corpo: a tireoide controla e regula muito mais coisas do que você imagina no nosso metabolismo (vou falar bastante sobre isso no próximo post!).

Como a internet está cheia de informações sobre a cirurgia – informações produzidas por gente muito mais gabaritada que eu, uma leiga – vou me focar em como foi a experiência PARA MIM. Na verdade, e eu sei bem disso, é o que a gente procura na internet assim que acaba de receber o diagnóstico e fica passado com aquela chuva de novidades (terríveis) sobre sua vida nos próximos meses. São AS MINHAS EXPERIÊNCIAS PESSOAIS e o tratamento bem como as decisões técnicas da minha médica foram feitas especialmente para mim, para o meu caso.

Eu peguei o resultado da punção numa sexta (19 de junho, acho que nunca vou esquecer) e só consegui consulta com a Cirurgiã de Cabeça e Pescoço na segunda à tarde. Foi o pior final de semana da minha vida – foi quando começaram as minhas crises de ansiedade também (que mais tarde eu descobriria serem Transtorno de Ansiedade Generalizada).

Foi tudo muito rápido entre consultas, exames pré-operatórios, marcação de cirurgia. Antes de completar um mês do diagnóstico, eu já estava saindo da minha casa para me internar no São Luiz do Itaim. Eu sabia que não, mas a sensação que eu tinha é que eu não iria voltar. Chorei ao me despedir da minha filha, olhei longamente para a minha casa antes de sair, senti até tontura quando abracei meus pais. Meu marido no carro ia tentando me distrair, falando de amenidades e fazendo piadas. Ele estava tão tranquilo e seguro que eu não sabia se o agradecia ou se o odiava! rs

Minha internação saiu bem rápido e eu estava emocionada de voltar ao São Luiz: 1 ano e 4 meses antes, a minha filhinha tinha nascido bem ali. As boas lembranças estavam por todo lugar e isso me distraiu muito. Entrei pela porta por onde saí com ela quando ela viu o mundo pela primeira vez. Demos risada lembrando do tanto de roupa e laços que havíamos colocado na menina só para fazer o trajeto hospital-casa bem na hora do almoço num março insanamente quente. Passamos perto do corredor do banco de leite e lembramos como nossa filha era pequenininha e frágil…e como ela tinha crescido forte e saudável depois de todo o apoio que recebi lá para amamentar. Enfim, as lembranças dos dias mais felizes das nossas vidas estavam ali, sendo esfregados na minha cara o tempo todo. E eu não sabia se isso me deixava mais depressiva ou se dava mais força para a luta.

Aqui vale um adendo: apesar da ansiedade que eu descobri ser doença depois, eu estava profundamente grata. Quanto mais eu andava pelo hospital e mais ficava sabendo da minha médica, mais eu agradecia. Eu estava sendo operada num dos melhores hospitais do país, com um dos maiores nomes da cirurgia nessa área, tudo pelo plano de saúde. Num país como o nosso, não é possível deixar isso de lado: eu fui MUITO privilegiada. São milhões e milhões de pessoas que jamais teriam esse tratamento.

são luiz itaim

Chegamos naquele quarto gigantesco e mal deu tempo de nos instalarmos já vieram me preparar para subir para o centro cirúrgico. Quando a enfermeira chegou com o dormonid, eu até comemorei: iria dormir! Mas diferentemente do que haviam feito numa cirurgia anterior, eu tomei injeção e não no soro, na veia. Não só fiquei acordadona para dar tchau para o meu marido como também fiquei acordadona umas 2h na “fila de espera” do centro cirúrgico (minha médica estava em outra cirurgia) assistindo ao Rei do Gado.

Finalmente me levaram para a sala de cirurgia e eu vi toda a preparação. Eu não estava nervosa: aquela sala era idêntica à sala onde minha filha havia nascido. Mesmo relógio na parede, porta no mesmo lugar, tudo tudo tudo. Fiquei calma, mas acordada. Só dormi de fato quando colocaram aquela máscara na minha cara. Dei uma tossida e caí apagada na mesa. Acordei sendo desentubada. Abri o olho e ao mesmo tempo perguntei para a minha médica:

-Dra, era maligno?

Pensa na voz de alguém que teve a garganta operada e acabou de ser desentubada. Eu lembro de me ter ouvido e ter pensado: “ok, eu sabia que isso ia acontencer. Não surta, Thaise!”

-Era maligno sim.

-Vou ter de fazer iodoterapia?

Essa era a minha preocupação porque eu só pensava que não queria desmamar a minha filha e muito menos ficar meio mês afastada dela.

-Provavelmente. Ele era pequeno, mas a cápsula estava infiltrada. Olha só, correu tudo bem, está tudo ótimo. Já falei com seu marido e ele até gravou a nossa conversa porque disse que não ia saber te contar com todos os detalhes que você iria querer saber depois.

“A cara dele pagar um mico desses” – pensei – “Ok, é maligno. Vou lidar com isso depois. Agora vou comemorar o fato de que eu não morri!”.

Eu me sentia leve ao final da cirurgia. Sei lá se eram os medicamentos que me deram, eu estava muito paz e amor. Estava profundamente agradecida por estar viva e estar tudo dando tão certo e tão rápido.

poscirurgia

Cheguei no quarto e fui olhar meus celulares. Minhas seguidoras no Instagram me inundaram de mensagens, fizeram corrente de oração…é incrível o quanto esse carinho me fez bem.

Recebi alta no dia seguinte (não fiquei nem 24h no hospital…me internaram às 15h-16h, fui operada às 18h e já tinha alta logo após o almoço). Pegamos minha filha na casa dos meus pais, viemos para casa e comemos pizza. Eu estava ÓTIMA como não ficava há muito tempo.

Dormi a noite inteira aquele dia. Tranquila e serena.

Dois dias depois da cirurgia, comecei a ter hipocalcemia – e aí as coisas começaram a ficar difíceis. Eu tomava 12 comprimidos de cálcio por dia, eles me deixavam enjoada e detonavam meu estômago. A pressão caía por causa do Tylex e eu tinha dificuldade para dormir pois nao achava posição para ficar com o pescoço no travesseiro.

Ficamos monitorando meu cálcio e aos poucos a doutora foi tirando o suplemento e eu melhorando. Uma semana depois da cirurgia eu já não tinha dores no pescoço. Mas em contrapartida, o hipotireoidismo começou a dar as caras.

Mas isso já é assunto para o próximo post: hipotireoidismo e iodoterapia!

Beijos,

Ise.


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1 Comentários

Virgínia Silveira
Responder 12 de janeiro de 2016

Ise, aqui é a Virgínia @visilveira que te mandou msg no instagran ontem. Não tinha lido este post e confesso que estou mais tranquila quanto à cirurgia. Obrigada por compartilhar a sua vida conosco. Desejo a você e sua família muitas alegrias e muita saúde. Bjos

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