Vacinas: dar no posto ou no particular?


Se tem uma coisa que é muito séria nessa vida é vacina. A erradicação de doenças gravíssimas traz consigo um outro risco: o esquecimento. Vai ficando muito para trás na história e as pessoas tendem a achar que é balela vacinar. Nem tão necessário assim. Possível fazer vacinação “seletiva” sem risco.

E aí mora o perigo para o filho dessas pessoas, mas também para o meu e para o seu. Vacinação é também uma atitude de responsabilidade social e sanitária.

Na Europa e nos Estados Unidos existem movimentos gigantes anti-vacinação infantil, infelizmente com muitos adeptos. Aqui no Brasil, felizmente, essa movimentação é rara.

As únicas certezas que temos são as da ciência – achar qualquer um piode achar qualquer coisa. E a ciência é uníssona: vacinar, vacinar e vacinar!

Não sou daquelas mães que tem dó de vacinar, que sai chorando do posto ou da clínica. Eu só respiro fundo e agradeço a Deus que a minha filha tem a oportunidade de estar protegida – e que milhares de pessoas morreram para que isso pudesse acontecer. Agradeço à ciência, agradeço a quem se ocupa de estudar isso, agradeço por ter a chance de picar minha bebê uma vez – e protegê-la assim de dores e sofrimentos muito maiores.

O SUS tem uma série de problemas estruturais, mas nosso calendário de vacinação está entre os melhores do mundo e ganha de lavada de muitos países desenvolvidos. É pura bondade do governo? Claro que não. Se tem algo que brasileiro aprende desde pequeno é que “não existe almoço grátis”. Acontece que é milhares de vezes mais barato previnir do que tratar. Então “ganhamos” um calendário bem amplo e abrangente. Ainda assim, existem diferenças nos calendários de vacinação da SBP, SBIM e do SUS – e sempre me perguntam sobre isso. Vou tentar fazer um resumão e atualizar sempre que uma vacina nova aparecer, de forma que vocês possam ter uma referência atualizada para fazer escolhas conscientes e, claro, dentro das possibilidades da família.

A vacinação pública e a vacinação particular são iguais em alguns aspectos, mas existem diferenças na abrangência das vacinas, na quantidade de doses e algumas diferenciadas – mais modernas, por exemplo.


Ao nascer:

BCG

É aquela que deixa a “marquinha” no braço. Apesar de alguns hospitais particulares cobrarem para que ela seja aplicada ainda na maternidade, ela é idêntica no posto ou na clínica.

Hepatite B (1a. dose)

Idêntica no posto ou na clínica particular.


2o mês:

Hepatite B (2a dose), Poliomelite (1a dose), Tríplice Bacteriana (1a dose), Haemophilus Influenzae B (1a dose), Pneumococo Conjugada (1a dose), Rotavírus (1a dose)

No posto: 3 injeções + vacina oral, divididas da seguinte forma –  1. Pentavalente (hepatite B, Tríplice Bacteriana, Haemophilus) 2. Poliomelite     3.Pneumo 10   4. Vacina Oral: Rotavírus MONOVALENTE.

  • As vacinas são feitas de vírus ativados, o que aumenta consideravelmente as chances de reação no bebê.
  • Pneumo protege contra 10 tipos
  • Rotavírus protege contra 1 tipo

Na clínica: 2 injeções + vacina oral, divididas da seguinte forma – 1. Hexavalente (hepatite B, Tríplice Bacteriana, Haemophilus + poliomelite) 2. Pneumo 13  3. Vacina Oral: Rotavírus PENTAVALENTE.

  • As vacinas são feitas de vírus inativados, o que diminui as chances de reação (muito comum não dar reação nenhuma).
  • Pneumo protege contra 13 tipos
  • Rotavírus protege contra 5 tipos.

 

 3o mês:

Meningo C (1a dose)

Idêntica no posto ou na clínica particular.

Meningo conjugada C + CWYA (1a dose)

Somente no particular. Não está disponível no posto.

Quem der esta, não precisa vacinar no posto. É a meningo do posto + outra vacina cobrindo outros tipos.

Meningo B (1a dose)

Somente no particular. Não está disponível no posto.


4o mês:

Repete o esquema do 2o mês (menos hepatite B)


5o mês:

Repete o esquema do 3o mês.


6o mês:

Repete esquema do 2o mês (incluindo Hepatite B) + 1a dose da vacina de gripe.

A vacina da gripe é idêntica na rede particular ou no posto.


7o mês:

Meningo B (3a dose)

Vacina de gripe (2a dose)


8o mês:

Passou em branco. Pode comemorar! hahahaha

Não há vacinas.


9o mês:

1a dose da vacina de febre amarela – para quem mora ou vai viajar para regiões endêmicas. É idêntica no particular e no posto.


12 meses:

Tríplice Viral (1a dose), Varicela (1a dose),  Meningo C + CWYA (3a dose) + Meningo B (4a dose) + Hepatite A (1a dose)

  • O posto não dá Meningo CWYA
  • O posto não dá Meningo B
  • O posto não dá Varicela (no particular são duas doses, 12 e 15 meses. No posto é somente uma dose, com 15 meses)
  • O pediatra provavelmente pedirá para dividir essas vacinas no decorrer de 3 meses, pois são muitas.
  • Em SP, as crianças tomam meningo C com 12 meses. No resto do país, tomam pneumo. E depois inverte-se os 15 meses, pneumo em SP e meningo no resto do país.
  • Tríplice Viral é idêntica no posto ou no particular.
  • Hepatite A é idêntica no posto ou no particular.

 

15 meses:

Tríplice Viral (2a dose), Varicela (2a dose), Pneumococo conjugada (4a dose).

  • Tríplice Viral e Varicela viram a “Tetra Viral” e são idênticas, posto ou clínica. Obs.: Em São Paulo está em falta HÁ MESES. No particular, tem.
  • Pneumococo cobre 10 tipos no posto, 13 tipos no particular.

 

18 meses:

Hepatite A (segunda dose), Tríplice Bacteriana, Haemophilus Influenzae B, Poliomelite (4a dose).

  • O posto não dá a segunda dose de Hepatite A.
  • O posto não dá reforço de Haemophilus.
  • No particular, a de Polio é a SALK, ou seja – vírus inativo.
  • A DPT (tríplice bacteriana) é acelular no particular (DPTa) portanto com menos ou nenhuma reação. A proteção é a mesma.

 

Observações gerais:

  • As vacinas no particular são caras, mas em geral as clínicas costumam dar descontos para indicação do pediatra, para quem faz todo o esquema de vacinação com eles etc. Pesquise.
  • Verifique SEMPRE a data de validade das vacinas.
  • Muitos infectologistas recomendam que as vacinas que são iguais na rede pública e na particular sejam feitas no posto, em virtude da maior rotatividade e da garantia de qualidade do estoque.
  • Crianças com febre não podem ser vacinadas. Caso existam outros sintomas, consultar o pediatra.
  • Não leve seu filho JÁ MEDICADO para tomar as vacinas. O pediatra indicará antipirético em casa de reação, mas este deverá sempre ser ministrado posteriormente, em caso de necessidade.
  • Não deixe de vacinar seu filho com medo da reação! Se a reação é assim, imagine a doença…
  • Evite vacinar em vários lugares. No caso de perda da carteirinha, fica muito mais difícil pedir segunda via das vacinas dadas.
  • Participe sempre das campanhas públicas de vacinação.

Para ler mais:

Calendário do SUS

Calendário da SBP

Os perigos do movimento antivacinas

Não, vacinas não causam autismo!

Mais de 100 estudos que mostram que não há nenhuma ligação entre vacinas e autismo (em inglês)

 

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4 Comentários

Micheli
Responder 11 de janeiro de 2016

E a vacina contra catapora, você tem alguma informação?

Ana Carolina
Responder 4 de janeiro de 2016

E qdo deve ser dada a segunda dose da meningo B? Acho que ficou faltando esta informação! São 4 doses dela?

    Thaise Pregnolatto
    Responder 4 de janeiro de 2016

    Olá, Ana Carolina!

    Depende do esquema de vacinação iniciado, porque é uma vacina nova... Quem está começando o esquema agora, toma 4 doses: 3, 5, 7 e 12 meses.

    Quem está no meio da vacinação e é menor de 1 ano, a critério do pediatra. Normalmente 3 doses.

    Maiores de 1 ano, estão fazendo 2 doses com intervalo de 2 meses.

    Fale sempre com seu pediatra.

    Espero ter ajudado!

    Beijos,

    Ise.

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