Vivendo sem vesícula


Quem segue o blog no Instagram e no Snapchat (isepregnolatto) sabe que na sexta feira, dia 8/01, eu operei a vesícula. Tenho recebido muitas perguntas de como está sendo o pós, sobre a cirurgia e mil dúvidas, então vou tentar concentrar um resumão aqui, por questões de praticidade.

Eu não sou médica e tem quilos de site explicando sobre o funcionamento da vesícula, utilidade e qual sua serventia. Se tiver dúvidas nesse sentido, basta um Google rápido e tudo resolvido. Vou falar da minha experiência, que normalmente é o que a gente procura quando descobre esses problemas de saúde.

Em junho-julho de 2013, eu estava fazendo exames antes de engravidar. Estava tentando e, como havia acabado de mudar de médico, a minha gineco atual achou que era legal pedir um check-up do zero para mim, enfim, para saber onde estava pisando. E eis que no ultrassom dá que eu tenho pedras na vesícula. O diagnóstico em si não era novidade: meu pai já havia tirado um tijolo uns anos antes.

No mesmo dia que levei os exames para a médica, ela me encaixou com o marido dela que é gastro e saí de lá com todo o pré-operatório na mão. Decidi que ia fazer rápido porque estava tentando engravidar já há uns meses e eu e meu marido estávamos com vontade zero de esperar mais para termos um bebê. Nem ela e nem o gastro me recomendaram engravidar com os pedras na vesícula. Parece que o estrógeno age diretamente sobre as cretinas, a situação pode piorar e os riscos são imensos, entre eles uma pancreatite – que pode ser fatal. Resumo da ópera: era uma porcariazinha, fácil de tratar, mas TINHA QUE tratar.

E o tratamento era a cirurgia.

Eu estava de férias e marquei o pré-operatório a dois quarteirões da casa onde eu morava. Não gosto de dirigir, procurar lugar para estacionar e sair a pé seria A GLÓRIA. Especialmente porque estava um frio do cão e eu amo São Paulo gelada.

Tive muitas dificuldades em chegar até o consultório. Eu estava passando MUITO MAL. Precisei parei no meio do caminho, pois perdi o ar e a visão escureceu. Ao fazer os exames, descobri que a minha pressão estava bem baixa, mas isso também não é lá novidade na minha vida.

Voltei a pé para casa e resolvi pegar um caminho um pouco maior e passar na frente de uma farmácia. Eu não dormia há 2 noites, tinha tido muitas dores nos seios uns dias antes, estava me sentindo muito mal, minha pressão estava baixa, um peso enorme no corpo…mas ainda faltavam uns 5 dias para eu menstruar. “Pode ser que eu esteja grávida”. Comprei 4 testes porque eu sabia que fazer um teste àquela altura do campeonato provavelmente daria negativo.

Resumo da ópera, deu positivo. E a minha cirurgia na vesícula, claro, foi adiada. Não tinha intercorrências durante a gravidez da Catarina – e a médica acompanhava de perto. No primeiro mês depois do parto, acordei com dores horríveis nas costas que não me deixavam mexer na cama. Parecia trabalho de parto, cólica, contração, sei lá o quê, tudo de novo. Como estava com a gravidez muito viva ainda na cabeça, entrei debaixo do chuveiro quente. Mas não adiantou NADA.

Me revirei, gritei, urrei de dor. Não melhorava. Umas 4 da manhã resolvemos ir ao hospital. Estávamos evitando a todo custo pois eu tinha uma recém-nascida em casa.

Antes não tivesse ido. O médico me disse que não ia me passar nenhuma medicação porque eu amamentava e, muito brava, voltei esbravejando para casa. Na segunda noite, as mesmas dores. Mas dessa vez não fui ao hospital.

Conversei com a minha médica, mostrei onde doía, descrevi as dores. Era a vesícula. Mas eu não queria operar enquanto estivesse no aleitamente exclusivo e no primeiro ano da Catarina pois, apesar de já comer comida, eles mamam muito mais do que comem no primeiro ano. Não queria arriscar.

Dessa forma, em junho do ano passado, marquei a cirurgia para as minhas férias. E poucos dias antes, descobri o câncer. Lá fui eu obrigada a adiar a cirurgia de novo.

E as dores não são exatamente gostosas, né? Rs

Acabou que no meio tempo, eu conheci uma gastro maravilhosa, que já havia operado o câncer de tireóide também. E foi com ela que operei. Finalmente, no dia 08-01, eu desencantei….rs

Lá se foi vesícula e hérnia umbilical. Eu estava bem tranquila, a equipe (de mulheres!) era maravilhosa e me fizeram até rir no centro cirúrgico. Quando eu saí da cirurgia, eu estava péssima: mal conseguia respirar. Elas já haviam me explicado que injetam um gás para operar por laparoscopia e que essa seria provavelmente a parte mais incômoda da coisa toda.

A anestesista ficou comigo na recuperação, monitorando e ascultando meu pulmão e medicando, até que eu conseguisse respirar melhor. Quando consegui, desci para o quarto. Lá consegui dar 3 lindos arrotos (tem nome bonito para arroto, gente?) e melhorei muito. Saí no dia seguinte, de manhã.

O pós tem sido bem tranquilo, se fico deitadinha quieta nem as dores do corte sinto. Não tomei remédio para dor nenhuma vez depois que saí do hospital. E no dia seguinte à minha alta, fui cobrir um evento de uma dupla de mães muito guerreiras e queridas, que eu não queria perder por nada. Fiquei 3 horas em pé antes de começar a sentir dor. Aí resolvi voltar para casa porque a coisa começou a ficar séria e passei o dia todo deitada.

Hoje, 3 dias depois, tive uma crise de gases. Parecia que a minha barriga ia explodir. Eu estava com prisão de ventre desde o dia da cirurgia e acho que isso não ajudou. Estou meio dolorida agora, mas mega dá para viver.

Minha preocupação sincera? Que eu não consiga mais comer chocolates, guloseimas e fast food, que eu tanto amo. Fico honestamente me perguntando se isso é algum tipo de karma que eu atraí me deliciando com muita gordura nessa vida. Mas aparentemente, as forças do além não são tão fortes quanto as forças da genética: estudos mostram que se você tem um parente em primeiro grau com cálculo biliar, pode ir fazer seu check-up pois você tem mais que o dobro de chances de tê-los do que alguém sem caso na família.

Sinto um pouco de dor “onde ficava” a vesícula às vezes. Já havia falando com a Dra. e ela disse que é normal. Senti dores no ombro direito nos dois primeiros dias também – e também é normal. Tem a ver com um nervo que passa bem por ali.

Fui ao banheiro várias vezes mas não tive diarréia. Não sei se é meu corpo recuperando o tempo perdido ou se eu e meu marido erramos no meni do almoço. Estamos tomando um mega cuidado para que eu não coma gordura nesses primeiros 10 dias, como a médica solicitou, antes de começar a testar o que meu corpo já aguenta ou não. Mas não tem jeito, às vezes alguma coisa escapa.

Estou na torcida para que meu corpo aguente a médio prazo churrasco, brigadeiro, chocolate, queijos. Tem gente que diz que nunca mais conseguiu comer como antes, tem gente que diz que é vida normal. Eu já tinha dores de barriga se comia algo gorduroso quando a vesícula estava capengando, então quem sabe eu esteja acostumada…hahaha Super acho que uma cebola do Outback valha certos esforços…rs

Tenho o primeiro retorno pós-operatório na sexta. Depois conto para vocês.

E aí, quem operou aí também? Bate?

E quem vai operar? Já está se despedindo da vesícula?

Beijocas,

Ise.

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6 Comentários

luciana
Responder 17 de março de 2018

Seu comentário*vou operar em breve mais tenho medo

Sandra M. Ferreira
Responder 17 de março de 2018

Fiz a cirurgia da retirada da vesícula dia 09/03/18 não senti nenhuma Dor! Graças à Deus!

Juscelia
Responder 4 de fevereiro de 2018

Olá.. .vou fazer a retirada amanhã! E pretendo engravidar em abril! Gostei muito do seu post..fiquei mais tranquila..obrigada!

    Thaise Pregnolatto
    Responder 4 de fevereiro de 2018

    Boa sorte para você! Vida nova! Eu fiquei zerada! Nunca mais tive dores e nem diarreias! ;)

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