LIÇÃO DE CASA: considerações de uma especialista


“Por que eu tenho que aprender isso se nunca mais vou usar na minha vida?”

Quem nunca se deparou com essa pergunta vinda por parte dos filhos? Ou até mesmo a fez durante a vida escolar? Se formos analisar na prática, realmente poucos adultos usam em seu dia a dia, ou no mundo corporativo, expressões numéricas, análises morfológicas ou os afluentes do rio Amazonas.

Na realidade, a educação básica tem uma missão muito mais abrangente, que é a de desenvolver habilidades e competências e estas são adquiridas através do ensino de todas as disciplinas, dentro de um trabalho pedagógico eficaz, naturalmente. Por exemplo: o raciocínio lógico desenvolvido na matemática, e muitas vezes na gramática também, ajuda os adultos a tomarem decisões práticas e rápidas, quando necessário. A própria “decoreba”, hoje muito menos usada, tem sua relevância, já que exercitar a memória nunca é demais.

O que dizer, então, do trabalho com leitura e interpretação de textos variados? A leitura é uma das atividades mais complexas para a nossa mente, uma vez que essa prática, aparentemente tão serena, é responsável por uma grande quantidade de conexões que se estabelecem no cérebro, além de enriquecer o vocabulário e fixar a ortografia das palavras. A leitura de textos narrativos, romances e poemas desenvolvem a habilidade da empatia, tão necessária no mundo atual, ou seja, as pessoas que têm esse hábito entendem com mais facilidade comportamentos de terceiros; são, portanto, cidadãos mais compreensivos e altruístas. E não seriam essas capacidades essenciais para o convívio social e profissional?

O ideal é que a interpretação de texto esteja presente em todas as disciplinas e não apenas em Língua Portuguesa. Quanto maior for a variedade de análise linguística, quanto mais diversificados forem os assuntos, mais a mente abre-se para novas observações, ponderações e argumentações, o que resulta num aguçado senso crítico. Teremos, por fim, um cidadão funcionalmente alfabetizado, capaz de compreender as mais distintas e complexas informações, bem como filtrá-las e delas tirar o que realmente for relevante.

E este processo vai além da sala de aula. Passeios culturais a museus, teatros ou livrarias, bem como assistir a bons filmes, além do bem-estar proporcionado pela atividade em família ou com amigos, favorece ainda mais o desenvolvimento dessas habilidades. Quando o colégio proporcionar atividades desse tipo, como peças de teatro, por exemplo, estimule seu filho a participar. Mesmo que ele não goste, pergunte por que não gostou, o que ele esperava… Dessa forma, você estará desenvolvendo na criança o senso crítico e a argumentação, além de auxiliá-lo a descobrir seus gostos e afinidades.

A importância da lição de casa no processo pedagógico

Dos fatores que resultam na aprendizagem, salientaremos:

1 – Interação professor/aluno – momento este que ocorre em sala de aula, ou em outra dependência da instituição de ensino (ou fora desta, em caso de passeio). Concentração e participação por parte do aluno, bem como segurança e dinamismo por parte do professor, são os itens que dão funcionalidade a essa etapa. Vale lembrar que, em sala de aula, o livro didático é um suporte para o professor, ou seja, um coadjuvante no processo. A aula em si vale-se de exemplos, comentários e extrapolações que também podem servir como elementos de avaliação; por isso, a concentração do aluno durante as explicações e a execução das atividades é fundamental.

2 – Lição de casa – tanto quanto o momento de interação, faz-se importante também o momento de introspecção. É executando rotineiramente as tarefas de casa que o aluno conseguirá realmente fixar o que foi aprendido e perceber possíveis dúvidas. O aluno que tem o hábito de realizar suas tarefas de casa todos os dias, sem esquecimentos, sem terceiros compromissos e sem interrupções, além de realmente estar concluindo o ciclo da aprendizagem, ainda reforça sua autonomia e responsabilidade. A execução sistemática da lição de casa já preenche grande parcela do famoso “estudo contínuo”, de que tanto falam os educadores. Dizer, pois, que a criança não consegue adquirir o hábito do estudo contínuo porque tem muita lição de casa é incoerente.

Seguem algumas dicas para que seu filho possa organizar-se adequadamente:

  • Não o deixe acumular tarefas. Mesmo que determinada lição não seja para o dia seguinte, é aconselhável executá-la no dia em que foi dada, uma vez que a explicação da professora ainda está “fresquinha” na cabeça da criança.
  • Reserve um local tranquilo, claro e arejado para que seu filho execute a tarefa. A postura também é importante, por isso é bom evitar que ele a faça na cama ou no chão.
  • Não se renda a pedidos de interrupção. Criança cansa-se facilmente das atividades morosas, como a lição de casa, e tentam sim escapar alegando fome, sono, sede, cansaço ou até dores. É importante colocar com firmeza que aquele é um momento de concentração e de execução de uma única atividade, e que fazê-la é de responsabilidade da criança, já que todos têm a sua (ou suas, no caso dos adultos). Tão importante quanto o momento da tarefa é também o momento de brincar, mas cada coisa a seu tempo.
  • Não caia no conto do “Não sei fazer” ou “A professora não explicou”, nem dê respostas prontas a seu filho. Nenhuma tarefa é mandada para casa sem que raciocínio semelhante tenha sido trabalhado em sala de aula. O que ocorre é que a criança, ao deparar-se com um exercício que requer uma reflexão mais apurada, tende a desistir. Estimule-o, desafie-o e principalmente acredite na capacidade de seu filho. Se a professora elaborou determinado exercício e o mandou como tarefa de casa, é porque ela acredita. Muitas vezes, até quem trabalha há anos com educação, surpreende-se com o quanto a criança mostra-se capaz, basta instigá-la e fornecer as orientações necessárias.

                “Milhares de pessoas acreditam que ler é difícil, ler é chato, ler dá sono, e com isso atrasam seu desenvolvimento, atrofiam suas ideias, dão de comer a seus preconceito, sem imaginar o quanto a leitura os libertaria dessa vida estreita. Ler civiliza.”
Martha Medeiros

rita

 

RITA GONÇALEZ é formada em Letras e em Pedagogia. Professora de Língua Portuguesa, autora de livros didáticos e paradidáticos. 

 

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1 Comentários

Lisa
Responder 4 de novembro de 2015

Espetacular este texto!

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