A licença maternidade acabou


E aqui estou eu, no último dia da minha última licença maternidade. Estou bastante introspectiva e pensativa, principalmente pensando no que mudou na minha vida com o final da licença da Catarina para cá. E estou doida de vontade de voltar ao trabalho, sabiam?

maternidadeTudo com o primeiro filho é mais difícil, especialmente porque a gente está numa estrada que não sabemos nunca onde vai dar. No segundo filho, é tudo muito diferente. Você está andando numa rua onde você sabe exatamente o que vai encontrar depois da curva. Para mim, essa tem sido a principal característica da segunda maternidade. Tem lá suas dificuldades, mas na minha experiência é uma chance de fazer as pazes com a maternagem. Está sendo lindo ver a minha filha mais velha colocar em prática tudo que eu ensinei para ela (principalmente empatia pelo próximo) e me dar a chance de colocar em prática tudo o que eu aprendi quando fui mãe pela primeira vez. Ter a chance de fazer diferente o que eu acho que não foi tão legal e ter a chance de fazer ainda melhor o que eu acho que fiz direito. Com muito mais calma e tranquilidade. Amo todos os dias ter duas filhas!

Quando a minha licença da Catarina estava terminando, eu estava em pânico. Eu não sabia se essa coisa de dar leite materno descongelado no copinho funcionava de verdade, se a minha filha iria passar fome, se meus peitos iriam vazar enquanto eu trabalhava, se ela iria ficar chorando pedindo pela mamãe. Eu tinha muito forte o propósito de não deixá-la numa creche o dia todo tão pequena (ainda tenho minhas restrições pessoais quanto a isso) e muito do meu desespero foi amenizado porque ela ficou com a minha mãe e eu voltava na hora do almoço, trabalhando somente 3x por semana. No primeiro dia em que a deixei com a minha mãe, entrei no carro para ir trabalhar e minha garganta fechou. Eu IA chorar, mas me recusei. Achei que era muito injusto chorar sendo tão privilegiada: eu tinha um emprego ótimo (eu não sei se já contei para vocês, mas eu simplesmente AMO meu trabalho e a escola onde eu trabalho), minha filha estava COM A MINHA MÃE (não há ninguém no mundo em quem eu confie tanto quanto nela), havia litros e litros de leite congelado para ela de forma que eu não teria de dar leite artificial e eu estaria de volta em 4 ou 5 horas.

Essa coisa de ficar com meus filhos era tão forte para mim que foi fator primordial na escolha da minha profissão uns 15 anos antes da Catarina nascer. Eu passei a ganhar 1/5 do

Uma tarde qualquer com a mamãe

Uma tarde qualquer com a mamãe

que eu ganhava quando reduzi minha carga, mas as minhas prioridades agora eram outras. E eu me sentia muito privilegiada por isso também: para algumas pessoas, mudar o sistema de trabalho significa não comprar o carro do ano, a casa de revista, ter de andar de ônibus. Mas para a maioria delas, ganhar menos é virtualmente impossível porque significa não ter comida na mesa. 

Fui tão bem recebida na escola, por outras tantas professoras que já haviam passado pelo que eu estava passando! Gostei tanto da sensação de ser eu de novo, mesmo que por pouco tempo, de usar a minha cabeça para outras coisas que não fralda e estímulos…e foi aí que eu descobri também que trabalhar fora de casa é molezinha quando a gente compara com o trabalho de cuidar o dia inteiro de uma criança! hahahaha

Aí eu cheguei à conclusão de que, com o tempo, passar algumas poucas vezes longe da minha filha era na verdade benéfico para ela. Ela aprendia que havia outros núcleos nos quais ela podia estar em segurança sem a minha presença (até hoje, a casa dos meus pais é o lugar preferido dela!) e, principalmente, aprendia que eu sempre voltaria, que nunca passaríamos muito tempo separadas. Isso foi muito útil quando ela cresceu e finalmente foi à escola, por exemplo. Ela NUNCA chorou (nunca precisou ter medo de ficar muito tempo longe de mim), muito pelo contrário: ela consolava as crianças dizendo que a mamãe estava trabalhando, mas que logo ela vinha e que eles poderiam brincar no meio tempo. Eu até chorei no dia em que li isso no relatório.

Amor profundo pelos amigos da escola

Amor profundo pelos amigos da escola

Aconteceu que, enquanto eu trabalhava fora algumas manhãs na minha semana, a Catarina ficou com a minha mãe e, posteriormente, com a babá. Eu chegava da escola e ela havia acordado na hora que o corpo acordou (não precisava madrugar, como um adulto), já havia brincado no parquinho, tomado banho e almoçado. E costumava estar espichada no sofá com a babá que fazia massagens nos pés dela hahahahha Vidão. Não ficava doente, não era exposta às doenças de escola (pobre segundo filho!). Quando achamos que ela tinha idade suficiente para interagir e que a área de lazer do prédio estava muito “pequena” para ela, ela foi à escola que escolhemos e amamos em todos os segundos que ela estudou lá (hoje foi o último dia dela).

Uma tarde durante a semana com as amigas em casa: não tem preço!

Uma tarde durante a semana com as amigas em casa: não tem preço!

Em resumo: deu tudo muito certo, eu fico 90% do meu tempo com as minhas filhas – aliás, eu não fico tempo NENHUM sozinha, isso inexiste na minha vida. Mesmo trabalhando fora, continuo sem hora de almoço, acompanhada em todos os lugares, com uma no carrinho e a outra no colo! hahahaha Meu trabalho não prejudicou isso, eu continuo sendo a principal cuidadora das minhas filhas, eu não perdi absolutamente nada. Nem o primeiro passo, nem a primeira palavra, nem os primeiros sabores. Eu faço todas as refeições com elas, com comida da nossa casa. A amamentação continuou – não foi nada fácil, mas eu não desisti! Acordei para tirar leite em muitas madrugadas, mas nunca faltou o leitinho dela. Nunca dei uma colher de leite artificial, como eu havia me proposto a fazer. DEU TUDO CERTO.

Amanhã, eu volto a trabalhar sabendo de tudo isso. Dá tudo certo. Vai ter leite sim, mesmo que eu tenha que tirar de madrugada. Tem uma pessoa maravilhosa cuidando da Lola. Sim, ela vai tomar o leite no copinho, não vai passar fome. Vai se afogar no peito quando eu voltar, mas vai ser de saudade. Sim, ela vai dormir com outra pessoa ninando. Não, ela não vai chorar. Porque ela já aprendeu que eu volto rapidinho. Ela vai passar metade do tempo que vou passar fora dormindo. Ela está no ambiente dela, com a irmã por perto. A cadeira dela, o berço dela, os brinquedos dela. E, principalmente, ela vai ter a mãe dela feliz e realizada. Metida a mulher-maravilha, querendo fazer tudo. Mas ó: acho que ela está conseguindo! =)

Estou feliz. Amanhã é fase nova e estou pronta para ela!


Para saber mais sobre como voltar ao trabalho e manter a amamentação exclusiva, recomendo o e-book da Isa Crivellaro AMAMENTAÇÃO E VOLTA AO TRABALHO: O MANUAL DEFINITIVO

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2 Comentários

Mariana Sampaio
Responder 2 de junho de 2018

Me identifiquei muito! Sou a privilegiada que chora mesmo trabalhando só meio período. Mãe de primeira viagem sofre mesmo, que angústia foi essa volta! Hoje sei que realmente, faz muito bem esse tempinho sem a mamãe.

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