Sobrevivi a um estupro – AVISO DE GATILHO


ATENÇÃO 

AVISO DE GATILHO: VIOLÊNCIA, ESTUPRO, ABUSO


Conheci a Mariana sem querer esses dias e, mais do que a sua história, o que me arrepiou foi a sua força, sua garra e sua coragem. Mariana sobreviveu. Mariana sobrevive todos os dias. Mariana fala para se curar. Mariana fala para ajudar outras mulheres. Viva a Mariana!


        Maio de 2016: considero o começo da minha nova vida. Espero por esse mês todos os anos e, quando chega, conto os dias, como se fosse um aniversário. Uma data que não comemoro, mas ainda assim é muito marcante porque de fato, foi ali que começou uma etapa difícil, porém, engrandecedora para mim. Engrandecedora porque conheci pessoas novas que se dispuseram a me ajudar e me aproximei de pessoas essenciais, sem as quais não viveria mais sem. Hoje, dois anos depois, escrevo esse relato com lágrimas nos olhos, mas imensa sensação de liberdade. Sou mais uma vítima de estupro. E esse é o início da minha história.
        Como qualquer adolescente, levava uma vida normal, resumida a faculdade, trabalho, namorado e amigos. Saía desacompanhada, era independente, o que talvez, para alguns, seja a justificativa. Alguém me encontrou sozinha, e, como “presa” fácil, não pude fazer nada. Na mesma linha da minha história, logo em seguida, descobri a gravidez. Naquele mesmo maio.
         Aquele ano se resumiu a exames, consultas, terapias. E crescia em mim uma criança que eu não sabia nem de quem era, do abusador, ou do meu namorado. 
grávida estupro
        Poderia estar grávida de um estupro, lidava com a probabilidade de um aborto, essa era uma ideia tão distante, como assim estava acontecendo comigo? E realmente, resolvi fingir não acreditar que era verdade, continuei na total apatia com aquele bebê, mesmo depois do resultado do teste de DNA afirmar que a criança era então, fruto do meu namoro. Na verdade, eu preferia o aborto. Sinto profundamente pela gravidez que tive, tão conturbada, que resultou na não aceitação da minha própria filha.
       Cá estou, dois anos depois, a convite da Thaise, para contar minha história- o que veio muito a calhar no que estou trabalhando na terapia, minhas mágoas e culpas que tenho em relação à minha gestação e maternidade. Não gostei de estar grávida, não me apaixonei à primeira vista por minha filha, e às vezes não gosto de ser mãe. Mas amo incondicionalmente minha filha e acredito que ela foi minha luz no período mais escuro de minha vida. A maternidade é difícil, não é instintivo como falam, automaticamente você se vê grávida e já sabe amar, ser mãe. Aprendi que as fases difíceis passam e nos fortalecem e acho que não só o parto em si, mas criar um serzinho, fez com que eu me sentisse forte, capaz de qualquer coisa.
gravida após estupro
     O medo de errar, a tristeza pelo que deixei para trás com o nascimento da minha filha, deram lugar à uma nova Mariana, mais responsável, mais centrada no que realmente importa: o crescimento da minha Melina. Com ela, não tenho tempo para lamentar o passado e apenas me sinto grata, pois 2016 afinal não acabou comigo, pelo contrário, me fez renascer. Pois bem, assim não só sobrevivi, aprendi a viver!
      Tenho 22 anos, uma bagagem um pouco pesada que, nesse momento, se tornou mais leve. Estou agradecida por estar aqui, dividindo com vocês algo tão íntimo, mas que, de certa forma, não poderia ficar aqui apenas comigo. Mamães, gestantes e quem eu alcançar com esse relato: somos guerreiras! Ser mulher, mãe, é um exercício diário de auto conhecimento, de paciência, mas também é o amor propriamente dito. Continuemos na luta! 
No meu instagram @outramariana pretendo falar sobre depressão pós parto, amamentação, maternidade real. Além disso, discutir temas pertinentes a nós, mulheres, tudo com um quê de experiência própria. Quem quiser acompanhar, é minha terapia. ❤
Quer escrever sua história para o Palavra de Mãe? Só mandar seu texto para contato@mamaholic.com.br com o assunto PALAVRA DE MÃE
Não publicamos nomes verdadeiros se você não quiser!

Curso maternidade

 

POSTAGENS RELACIONADAS

fazendinha interação com animais
Passeio de férias: Fazendinha Cia dos Bichos
July 21, 2018
dúvida
Feliz Dia das mães para você, homem branco e hétero sem filhos!
May 12, 2018
menino de tutu, machismo
Meu filho usa fantasia da Frozen. E daí?
April 08, 2018
atividade educação infantil
4 atividades SIMPLES para tirar as crianças da frente da TV
March 25, 2018
youtube
Primeiro x segundo filho: coisas que a gente aprende
March 05, 2018
gravidez
7 coisas IMPORTANTÍSSIMAS que você precisa saber na primeira semana do bebê
March 03, 2018
Canal de maternidade no youtube
Mamaholic no Youtube!
February 14, 2018
buffet churrasco domicilio sp
Batizado da Aurora: a comida
February 11, 2018
Aí tive de comprar duas, ao invés de uma! hahahahaha
Comprando roupas de mães empreendedoras: um posicionamento político
February 03, 2018

4 Comentários

Lene Antunes
Responder 3 de junho de 2018

Eu fiquei grávida aos 15 anos e no início e passei 2 meses deitada numa cama dormindo pq não queria enfrentar a realidade. Sei bem como é essa sensação.

Ellen
Responder 3 de junho de 2018

Estou arrepiada! Como nós mulheres somos fortes!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios são marcados com "*"